[Lista] 04 Filmes LGBT+ Para Celebrar o Mês do Orgulho

Junho é marcado como o mês do orgulho LGBT+ e nele é celebrado o amor e a igualdade entre todas as identidades de gênero e orientações sexuais. No entanto, também é um mês de maior conscientização, além de ser propício a refletir sobre o quão corajoso é ser diferente em uma sociedade patriarcal e obsoleta. Nós do Olar Para Todos, como de praxe, listamos quatro ótimos filmes que com todo certeza irá agregar valores e conhecimento a você. Confira a lista abaixo:

1. 120 Batimentos Por Minuto

 

Na França dos anos 1990, o grupo ativista Act Up intensifica seus esforços para que a sociedade reconheça a importância da prevenção e do tratamento da aids.

Apesar de possuir uma premissa bastante semelhante a de outros filmes, é de certo que, “120 Batimentos Por Minuto” se diferencia em sua execução. Dirigido e roteirizado por Robin Campillo, o longa é, em sua maioria denso, desconfortável, realista e cru. Traz consigo discussões bastante pertinentes, como educação sexual e a importância da luta pelos direitos civis, além de reabrir questionamentos sobre o modelo econômico, ainda bastante presente, onde se misturam saúde e dinheiro da forma mais atroz possível. A montagem fragmentada gera ritmo na obra, ajudando na construção do sentimento de urgência que é inserido de forma excelente nas cenas de protestos e nas de discussões estratégicas do grupo. O longa apresenta de forma dilacerante a vida se esvaindo diante de nossos olhos e ainda mostra que para mudar um sistema – que só prejudica as minorias – é essencial fazer barulho.

 

Filme '120 batimentos por minuto', vencedor em Cannes, estreia em ...

2. Tatuagem

 

Entre as duas cidades Pernambucanas, Recife e Olinda, o ator, diretor e coreografo Clécio Wanderley (Irandhir Santos) lidera uma trupe teatral/Cabaret denominada “Chão de Estrela”, onde ele e os atores utilizam de sátiras e deboche para combater a repressão política e moral causada pela ditadura militar. Fininha (Jesuita Barbosa), cunhado da travesti Paulete (Rodrigo Garcia), é um jovem militar que se ver encantado com a sensação de liberdade e diversidade propagada pela trupe, e é lá que o mesmo protagoniza ao lado de Clécio uma paixão arrebatadora.

Tatuagem” – de forma ríspida – é anarquia com purpurina, é algo que quebra, sem dúvidas, qualquer estereótipo referente a um filme de romance homoafetivo. O talentoso roteirista e diretor Hilton Lacerda, enfatiza a importância da liberdade e da cultura, mostrando que só elas possuem a capacidade de salvar, educar e informar. O longa retrata um ambiente anárquico de forma eficaz, nos mostra de forma orgânica como a masculinidade tóxica pode ajudar na auto-repressão da sexualidade. Aqui, a arte marginal rompe com o tradicionalismo e com a visão heteronormativa. “Tatuagem” é um filme livre de pudor, com cenas de sexo delicadas e cruas. Apesar de tratar-se de um período arcaico do Brasil, ainda assim, é possível trazer tais discussões para contemporaneidade.

 

Tatuagem, revolução dionisíaca - Outras Palavras

3. O Segredo de Brokeback Mountain

 

No verão de 1963, em Wyoming, Ennis Del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhaal) são dois jovens que se conhecem após serem contratados para trabalharem como pastores de ovelhas em Brokeback Mountain. Ao longo da semana, uma aproximação começa a surgir entre os personagens, dando origem a uma conexão mais profunda e íntima. Com o fim do trabalho e do verão, cada um segue com suas respectivas vidas. Ambos se casam e constrói suas famílias. Após quatro anos sem contato algum, eles começam a marcar encontros esporádicos e mantêm um caso amoroso durante quase 20 anos.

É nas montanhas de Brokeback que evidenciamos o nascimento do mais profundo e verdadeiro amor entre dois seres humanos, representado na forma mais pura e singela possível. O diretor Ang Lee nos apresenta um filme intenso, realista, amargo e contemplativo, sem pretensão alguma de romantizar o relacionamento entre duas pessoas, pelo contrário, ele mostra o quão complexo pode ser essa árdua realidade. Em “O Segredo de Brokeback Mountain” é possível acompanharmos, de forma gradativa, o impacto emocional e a evolução dos sentimentos entre os personagens, tão bem moldados e interpretados, fazendo assim com que os espectadores se coloquem em uma posição de empatia extrema por eles. Indubitavelmente, esse é um dos melhores longas de temática homoafetiva, traz questionamentos e, acima de tudo, nos mostra que todo amor, sem distinção, merece e deve ser vivido.

 

O Segredo de Brokeback Mountain” quase teve Matt Damon e Joaquin ...

4. Elisa y Marcela

 

Uma história de amor proibido baseada em fatos reais. Em 1901, na Galiza, Elisa Sánchez Loriga assume uma identidade masculina para se casar com outra mulher, Marcela Gracia Ibeas. Foi o primeiro casamento entre duas pessoas do mesmo sexo na Espanha

Isabel Coixet, diretora do longa, nos apresenta a uma obra repleta de significado que versa sobre o amor, a luta e a resistência de modo lírico e sutil. “Elisa y Marcela” é um dos poucos longas que representa o relacionamento lésbico nos cinemas, é uma obra que utiliza de sua fotografia, da sua trilha de piano e de suas transições para retratar com primazia o drama vivido por duas mulheres em plena Europa de 1901, onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo era abominável, aos olhos da igreja católica. A sociedade é tida como um personagem no longa, sendo regida por pensamentos e comportamentos vetusto. O filme emociona, provoca empatia e o mais importante, traz reflexões e questionamentos acerca do corpo social, que consegue ser contemporânea ao mesmo tempo que arcaico.

 

A história de Elisa e Marcela, segundo Isabel Coixet

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