[Animação] Harley Quinn (DC Universe)

A verdadeira “Emancipação Fantabulosa” da Arlequina


Pegando carona no estrondoso sucesso do filme Batman (Tim Burton, 1989), Bruce Timm lança no início da década de 1990 “Batman Adventures”, animação que viria a dar vida a todo o universo do homem morcego. Porém uma das personagens que roubaria a cena nem ao menos existia, sendo criada exclusivamente para a animação: Estamos falando de Arlequina.

Criada a princípio como parceira do Coringa, Arlequina logo viria a se tornar o símbolo do que uma relação abusiva e destrutiva poderia causar. Usada, traída e violentada, sempre acreditava que seu “Pudinzinho” estava apenas exagerando na dose, mas mesmo a paciência (e a loucura) de Arlequina tinha limite e sua revolta sempre proporcionava os melhores episódios que participava.

Não demorou para que o sucesso da personagem a levasse das animações para os quadrinhos, porem numa roupagem onde não havia mais espaço para os abusos e manipulações dos Coringa. Assim, numa das reformulações que o universo DC sofreu, Arlequina não só era apresentada como personagem independente, mas também membro fixo do grupo de criminosos conhecidos como Esquadrão Suicida, o que lhe renderia espaço na adaptação para o cinema, interpretada por ninguém menos que Margot Robbie.

Sucesso de bilheteria e fracasso de crítica, “Esquadrão Suicida (David Ayer, 2016)” conseguiu apenas fortalecer a personagem, não apenas lhe conferindo protagonismo no Spin-off duvidoso “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (Cathy Yan, 2020)”, sendo disparado a melhor coisa que o longa traz, mas também seu retorno às animações, numa série para maiores exibida no canal de streaming da DC Comics: Harley Quinn.

A série começa chutando o balde ao apresentar o fim de seu relacionamento com o Coringa, ao perceber que o verdadeiro amor e obsessão do vilão sempre foi e sempre seria o Homem Morcego. A partir daí tem início a jornada de autoafirmação de Arlequina como mulher e vilã, buscando o reconhecimento da instituição (!) conhecida como Legião do Mal.

Esqueça o tom sombrio de Gotham City. A grande sacada da animação é uma boa dose de humor ácido e clima de deboche que permeia cada episódio, como um Bane de fala rebuscada (uma clara paródia ao personagem interpretado por Tom Hardy no cinema) ou mesmo um Comissário Gordon com problemas de carência, seja quanto a infidelidade da esposa, seja por atenção de próprio Batman.

Mas nada disso ofusca o protagonismo de Arlequina que esbanja carisma e personalidade, se mostrando de longe a melhor e mais divertida versão já feita da personagem, com destaque para a dublagem de Kaley Cuoco (The Big Bang Theory, 2007-2019). Sim, o Coringa continua em seu encalço, tentando de toda forma frustrar seus planos o que lhe confere o perfeito papel de “macho escroto” na trama, como bem acontece com muitos babacas que não conseguem admitir que sua “ex” siga sua vida e lhe deixe pra trás.

Vale também chamar a atenção para sua equipe, principalmente sua relação com Hera Venenosa, algo que sempre foi muito bem explorado desde sua criação nos anos 1990, quando mais pareciam uma versão de Thelma e Louise (Ridley Scott, 1991). Enfim, Harley Quinn realiza a façanha de ser uma animação absurdamente violenta e ao mesmo tempo leve e extremamente divertida, repleta de personagens incríveis e situações absurdas que faria inveja aos melhores sitcons.

Nota: 9,0/10

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