[Livro] Aliança do Crime

Sinopse: Agente em ascensão na divisão de Boston do FBI, John Connolly foi criado em South Boston, a mesma vizinhança de Whitey, um gângster até então pouco influente. Era a época da caça à Cosa Nostra, e, após muitas tentativas do agente de bureau, Connolly conseguiu o que poucos acreditavam ser possível: transformou Bulger em informante. O gângster, porém, fez muito mais do seu dever de casa –  além de colaborar para o desmantelamento da Máfia italiana, manobrou uma série de assassinatos e passou a comandar o tráfico de drogas na cidade. O acordo entre Bulger e Connolly saiu completamente do controle e, anos mais tarde, veio a se tornar o maior escândalo da história do FBI envolvendo informantes.

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Assim com os grupos de tráficos são bastante conhecidos aqui no Brasil, as gangues americanas sempre são alvo de grande repercussão nos Estados Unidos. Por causa disso, quando grandes chefões do crime organizado são presos ou são publicamente intimados, isso vira assunto em todos as redes de informação, causando um grande alvoroço no estado. Entretanto, existem aqueles casos que chocam todo o país, como o do Whitey Bulger. James Joseph Bulger, Jr. foi um criminoso de descendência irlandesa que se tornou um do maiores chefes do crime organizado de Boston, além de passar mais de 10 anos na lista dos dez mais procurados pelo FBI. A lista de crimes cometidos era imensa, que iam desde extorsão até o assassinato de pelo menos 19 pessoas, o que fez com que a recompensa pela sua captura chegasse a dois milhões de dólares, que foi possível em 2012. Sua sentença foi de duas prisões perpétuas e quatro meses, mas seu tempo na prisão foi breve, já que ele veio a falecer em 30 de outubro de 2018.

O livro biográfico “Aliança do Crime” conta justamente a ascensão de Bulger até a sua queda como um dos maiores chefes criminosos de Boston. Na minha opinião, a forma como os fatos são apresentados, como introduzem e caracterizam as pessoas durante os ocorridos é sensacional. O excesso de informações pode confundir o leitor caso ele não esteja atento, mas eu vejo isto com um aspecto que tornou a história mais rica, além de facilitar a formação da imagem como um todo. A história não é contada de forma totalmente linear, pois quando aparece uma nova pessoa, o autor tem o cuidado de  apresentar a narrativa deles, fazendo a história retroceder até o ponto em que eles se envolvem com alguns dos indivíduos principais: Whitey Bulger ou John Connolly. Por essas razões, posso afirmar que é uma biografia bem completa, além de uma leitura obrigatória para quem gosta de livros do gênero.

Foto de Joel Edgerton - Aliança Do Crime : Foto David Harbour ...

Em 2015 foi lançado um filme de mesmo nome, baseado na história de Whitey Bulger, tendo como base o livro. No longa, a narrativa se constrói em cima dos testemunhos de Kevin Weeks e Stephen Flemmi, que após serem presos, fazem um acordo para diminuírem suas sentenças, mesmo que só tenham algumas cenas da conversa entre eles e o FBI. Podemos dizer que essa é a primeira diferença em relação ao livro, já que durante a leitura temos a sensação de estamos lendo um relatório com as informações do ocorrido, já que os autores tiveram a cautela de entregar aos leitores o maior número de dados existentes sobre o caso Bulger. Por causa disso, as pessoas que leram o livro antes podem sentir que o filme começa pela metade, que tudo é muito corrido e que além da história ser toda recortada, excluem parte bem importantes.  Além disso, existe algumas divergências entre as informações trazidas no livro e no filme.

Entretanto, o que mais me incomoda na trama é o fato de também abordarem acontecimentos da vida pessoal de Bulger, sendo que pouca coisa é mencionada no livro, uma vez que ele era uma pessoa muito reservada. Um exemplo bem explícito, é a relação entre os irmãos Whitey e Billy, já que no filme mostra diversas cenas deles se encontrando, enquanto no livro é dito que esses visitas um ao outro eram apenas especulações e que só se comprovou um desses encontros, na casa da mãe do Bulger, onde estavam John Connolly, John Morris e o Whitey. Outra parte importante a ressaltar, são as pessoas que tiveram uma grande importância no caso de Bulger e que foram completamente ignoradas ou quase não aparecem no filme, sendo eles: Howie Winter, John Morris, Fred Wyshak, Paul Rico, Nicholas Gianturco, Robert Fitzpatrick e Jeremiah T. O’Sullivan.

Por causa destes aspectos, considero o filme fraco e incompleto, mas mesmo assim ele possui pontos positivos que valem ser ressaltados. Um deles é a incrível atuação de Johnny Depp como Whitey Bulger, que lhe rendeu a indicação de Melhor Ator Principal no SAG Awards em 2016. Acredito que isso se deu ao fato do ator conseguir transmitir o medo e calafrios causados pelo Bulger durante seu “reinado” em Boston, principalmente seu olhar frio e calculista. Outro ponto interessante são as cenas de assassinatos que são bem explícitas, podendo causar desconforto para quem não curte ver esses momentos pesados, mas que representam bem todas as atrocidades feitas por Bulger enquanto ele se esquivava das autoridades.

Pra finalizar, quero dizer que as cenas prós-créditos iniciais são ótimas, mostrando fotos, gravações e manchetes dos acontecimentos e das pessoas reais.

Achou interessante e se interessou de ler o livro ou assistir o filme? Não perde tempo e corre lá pra conferir, mas não se esquece de comentar aqui depois o que achou!

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