[Análise] Éramos Seis (Globo)

A quinta adaptação do romance de Maria José Dupré chegou cercada de expectativas. Em julho de 2017 a Globo conseguiu adquirir os direitos do texto da adaptação feita por Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho para o SBT, em 1994. O próprio Silvio revelou que gostaria de escrever a nova adaptação, mas uma vez que está no cargo de diretor de dramaturgia da emissora, a função passou para Ângela Chaves, que estreou como titular em novelas em 2017, na trama das onze “Os Dias Eram Assim“, ao lado de Alessandra Poggi.

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A família Abílio de Lemos na primeira fase de Éramos Seis

Para a protagonista, foram cotadas Glória Pires, Elizabeth Savalla e Lília Cabral. Eis que, finalmente, em 30 de setembro de 2019 o primeiro capítulo foi ao ar com Glória Pires na pele da heroína Dona Lola, mãe de quatro filhos, que luta pela felicidade de sua família ao longo de décadas. Sofrendo com o temperamento do marido, por vezes agressivo, Julio (Antonio Calloni, numa participação especial irrepreensível), ela vai vendo sua família se desfazer perante seus olhos com o passar do tempo.

Dirigida por Carlos Araújo, a novela cumpre bem seu papel de adaptação e, tomando suas liberdades em cima dos textos originais, é exatamente a trama dramática que prometia ser desde as chamadas. A primeira fase, que durou 31 capítulos foi de um primor e bom gosto absolutos. Inclusive, o elenco infantil, muito bem afinado, arrancou diversas lágrimas do público.

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A família Abílio de Lemos na segunda fase de Éramos Seis

A mudança de fase trouxe ótimos novos personagens, como a ótima Adelaide interpretada pela portuguesa Joana De Verona em seu primeiro para a TV brasileira. Além disso, outros nomes se destacam positivamente na novela, desde o divertidíssimo Zeca de Eduardo Sterblitch, passando por nomes como Maria Eduarda de Carvalho, Ellen Rocche, Ricardo Pereira, Mayana Neiva e Cássio Gabus Mendes.

Há que se destacar também a estreia de Júlia Stockler (a Guida do elogiadíssimo ‘A Vida Invisível) como Justina, e especialmente, a performance de Simone Spoladore como a sofrida Clotilde. A atriz brilha com a mulher amargurada e apagada pela vida que sofre por amor.

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Gloria Pires brilha na pele da heroína de Éramos Seis

O trabalho de Glória Pires como Dona Lola nos lembra mais uma vez o porquê de ela ser uma das maiores forças da arte brasileira. Doce, melancólica e altiva, a personagem, já excepcional no livro original, e já interpretada por Gessy Fonseca, Cleyde Yáconis, Nicette Bruno e Irene Ravache, ganha uma força singela na interpretação de Glória, que se move e emociona em cena com total naturalidade.

Agradavelmente bem-escrita e bem-realizada, Éramos Seis se sagra como uma ótima surpresa, e deve entrar para as listas de melhores remakes dos noveleiros de plantão. Uma deliciosa trama para, além de entreter, trazer ótimas reflexões sobre os costumes e padrões de época.

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