[Análise] A Dona do Pedaço (Capítulo Final)

“Fácil e medíocre, ‘A Dona do Pedaço’ sai de cena como sucesso incontestável.”

 

Com o ar de novela popular que se perdeu durante a exibição da mal-fadada ‘O Sétimo Guardião’, de Aguinaldo Silva, ‘A Dona do Pedaço’ estreou apostando numa narrativa à lá ‘Romeu e Julieta’ e obteve uma transição de fases muito bem sucedida com a introdução de personagens e rostos que caíram no gosto do público. O problema surgiu com o desenvolvimento da trama que se revelou um emaranhado de clichês fáceis, personagens descaracterizados e vícios que limitaram sua narrativa.

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Juliana Paes deu vida à popular Maria da Paz

A trama de mãe e filha que rivalizam e da mulher batalhadora que cresce profissionalmente através do próprio esforço evocava algo entre ‘Vale Tudo’ e ‘Rainha da Sucata’. O telespectador médio que sentia falta do melodrama simples encontrou um prato cheio na novela de Walcyr Carrasco, criada às pressas, em pouco menos de um mês, para estancar a queda de audiência provocada pelo fracasso da antecessora.

Para evitar que Manuela Dias estreasse sua ‘Amor de Mãe’ na sequência de uma novela problemática, Walcyr foi escalado para estrear exatamente um ano e alguns dias depois do fim de ‘O Outro Lado do Paraíso’, sua última novela também para o horário nobre. Depois de algumas mudanças na sinopse original, chegou promissora — como quase todas as antecessoras — e rendeu muito bem para a emissora, com o pecado de recorrer a artifícios que prejudicaram a trama.

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Nathalia Dill em cena como Fabiana

Com duas vilãs que não funcionaram como deveriam, uma protagonista histriônica e personagens que mudaram de personalidade múltiplas vezes, A Dona do Pedaço’ também optou por usar “entrechos” como a testemunha de última hora, os bordões que se repetem para gerar humor, os vilões burros saídos de desenho animado entre outros que só constataram a dramaturgia fácil e frágil que a novela lutava para sustentar.

Há de se ressaltar as incríveis performances de Agatha Moreira na pele de Josiane, e da Fabiana de Nathalia Dill, que foram até onde puderam pra tirar leite de pedra das personagens que lhes couberam.

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Paolla Oliveira e Monica Iozzi encantaram o público como Vivi e Kim

Paolla Oliveira e Monica Iozzi iluminaram a tela em todas as cenas nas quais apareceram. A Vivi Guedes repleta de tiques e trejeitos de Paolla além de conquistar o coração do público conseguiu se provar talvez a personagem mais rentável da história da teledramaturgia, tendo em vista as inúmeras propagandas protagonizadas por ela. Já Iozzi conquistou de cara o público com suas frases ácidas e o humor característico muito bem conduzido pelo autor, digno de todos os elogios.

A química entre os pares românticos funcionou muito bem, com exceção do casal formado pela Maria da Paz de Juliana e o inexpressivo Amadeu vivido por Marcos Palmeira, que iniciou e terminou a trama sem o menor sal. Maria da Paz acabou tendo mais química com o Régis de Gianecchini. Ele talvez tenha sido o personagem mais prejudicado pelo roteiro: Régis era mau-caráter, se apaixonou por Maria da Paz, virou viciado em jogos, depois evangélico… O ator teve de se virar nos trinta para conseguir manter o carisma do personagem em meio a tanta descaracterização.

Paolla Oliveira e Sérgio Guizé, Caio Castro e Bruna Hamú, e Agatha Moreira e Reynaldo Gianecchini carregaram muito bem os pares. Natália do Vale e o estreante Bruno Bevan ganharam a audiência com o belo par que formaram.

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Monique Alfradique na pele de Yohana

A entrada de Monique Alfradique nas últimas semanas serviu para movimentar a trama, mas a aleatoriedade do roteiro acabou deixando a personagem sem função e bastante apática. Nem para funcionar no conflito entre Vivi e Camilo (muito bem na pele de Lee Taylor), que se resolveu de maneira rápida e berrante nos primeiros minutos do capítulo final.

A sensação que fica é de que ‘A Dona do Pedaço’ careceu de mais tempo para ser preparada e melhor organizada. Nem Amora Mautner, conhecida pela identidade diferente que sempre imprime em seus trabalhos saiu do lugar comum e até regrediu um pouco para o que vinha sendo apresentado no horário. A novela divertiu e rendeu, mas em mérito de qualidade… Ficou devendo.

Nota: 4,7/10

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