[Revisitando] #01 – A Saga Crepúsculo

Apoiada no épico e estrondoso sucesso da série literária escrita por Stephenie Meyer, a adaptação para as telonas da quadrilogia sobre o amor de uma humana por um vampiro “no mínimo esquisito” para os padrões comuns despertou o fanatismo de uma parcela enorme, e, um pouco por isso também, a rechaça de parte da crítica especializada e dos espectadores mais velhos.

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No primeiro filme da série (direção por Catherine Hardwicke), Isabella Swan (Kristen Stewart) está de mudança para Forks, uma cidadezinha fria e chuvosa esquecida nos Estados Unidos para morar com o pai, o policial Charlie (Billy Burke), para que a mãe finalmente viva um pouco sozinha com o novo marido. Chegando à cidade, ela vai se adaptando aos tropeços até conhecer o curioso Edward (Robert Pattinson) e sua família, os Cullen.

O aspecto de telefilme e o amadorismo contidos na obra fazem qualquer um torcer o nariz, mas em tom de farsa, ver Robert Pattinson brilhar à luz do sol e ouvir os diálogos infantiloides e amadores acompanhados de atuações — muito — pausadas e ofegantes diverte quem não procura pensar muito, mas está longe de funcionar da mesma forma para quem procura uma produção redonda e com boa realização.

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Sai Catherine Hardwicke, e entra Chris Weitz. Após dirigir o oscarizado A Bússola de Ouro, Weitz foi responsável por dirigir Lua Nova, segundo filme da série. Depois de ser um mero objeto cênico com pouca função no primeiro filme, o Jacob de Taylor Lautner finalmente cresce e ganha destaque num carismático contraponto ao mocinho ainda insosso de Pattinson.

Aqui o universo se expande e conhecemos mais sobre a relação dos vampiros com suas leis seculares na forma do curioso clã Volturi. Depois de uma acidente na festa de aniversário de Bella, Edward decide se afastar de vez da amada para não expô-la a mais perigos. Num estado de depressão e melancolia, Bella passa a sentir a presença de Edward quando exposta a situações que arriscam sua vida e entra numa espiral de loucura abrandada pela doce amizade de Jacob, que descobre ser um lobisomem nesse meio tempo. É interessante a relação entre a vida e a morte que perpassa toda a série, que cria discussões oníricas sobre a salvação da alma e a condenação ao inferno. É certamente um filme bem-realizado onde a série começa a entrar nos eixos.

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Talvez o maior acerto da série, em Eclipse finalmente é estabelecido um conflito que põe em perigo não só a paz dos vampiros, mas a vida dos humanos que agora cercam a vida deles. Para proteger Bella, lobisomens e vampiros se unem para lutar contra Victoria (Bryce Dallas Howard) e seu poderoso exército de recém-criados, que deseja se vingar dos Cullen pelo assassinato de seu amado James, no primeiro filme da saga.

Sob a batuta de David Slade, do claustrofóbico MeninaMá.com, Eclipse ganha ares de filme de terror, numa belíssima fotografia em tons escuros. Os atores finalmente se encontram em seus personagens e é mais fácil sentir alguma empatia pela Bella de Kristen Stewart, que tenta a todo custo não se indispor com nenhum de seus pares e ofega menos. O Edward de Robert Pattinson sorri mais e carrega menos nas caretas. Taylor Lautner mantém a simpatia do personagem, mas incomoda um pouco com seu Jacob insistente e obsessivo. Bryce Dallas Howard entrega bem a vilã e o roteiro do filme ainda reserva boas cenas com o núcleo Volturi da história que cerca os passos dos vilões. É o melhor capítulo da série.

(P.S.: Eclipse tem certamente uma das trilhas sonoras mais incríveis da história)

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Chega a primeira parte do finale, e Bill Condon, roteirista de Chicago e diretor do recente A Bela e a Fera, entrega uma direção iluminada e bastante otimista – pelo menos na primeira parte do filme.

O romântico casamento de Edward e Bella inicia o filme numa sequência de esquentar o coração de qualquer espectador. A lua-de-mel no Rio de Janeiro toma um bom pedaço do primeiro ato do filme e é involuntariamente engraçado ver Pattinson arranhando o português com os atores tupiniquins extremamente mexicanizados que fazem uma ponta no filme.

Do meio pro fim as coisas ficam mais sérias quando Bella descobre uma gravidez. E o retorno para Forks e a gestação tornam-se o período mais perturbador da sua vida humana. É também a fase mais soturna do filme. Certamente o parto da mocinha deve ser uma das cenas mais esquisitas do cinema mundial: a cena mais sangrenta da série tem mordidas, sangue, veneno e um bebê em CGI num coquetel molotov explosivo que pode ser muito bom ou péssimo dependendo do espectador. A graça em Amanhecer – Parte 1 está no fato de que apesar de dividido, é um filme com começo, meio e fim muito bem realizado. Deve-se destaque ainda ao Charlie de Billy Burke, muito bem em todos os filmes, mas com uma carga dramática muito bonita crescente nos dois últimos filmes.

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Em Amanhecer – Parte 2, Bill Condon segue no comando e temos aqui talvez o filme mais solar da série. E isso é um problema pela excessiva iluminação de uma cidade até então cinza e chuvosa que surpreendentemente muda de tom. Já transformada, Bella acorda e sente-se muito mais ajustada em sua pós-vida do que no período em que era humana. Depois de uma divertida sequência em que ela se redescobre, temos o primeiro contato com Renesmee e a grotesca escolha do diretor por utilizar o rosto da pequena Mackenzie Foy apoiado em CGI para ilustrar o rápido crescimento da híbrida é risível, se não desrespeitoso com o público. Isso sem falar no grotesco e absurdo encantamento de Jacob pela criança ainda no filme anterior.

Depois de um mau entendido, os Volturi estabelecem confronto direto contra os Cullen por julgarem que a nova integrante da família é uma criança transformada. Eles decidem então unir forças com os lobisomens mais uma vez e vão em busca de testemunhas ao redor do mundo para tentar evitar o confronto. Aqui reside um dos mais divertidos entrechos do filme, onde somos apresentados a vampiros com diferentes dons especiais, e uma espécie de liga X-Men vampiresca se forma, mas é no confronto final que a maior ousadia dos roteiros até então convencionais — e um pouco preguiçosos — de Melissa Rosenberg se encontra. Uma vez que o confronto não se encontra nos livros, coube à roteirista tentar suprir a falta de algo épico que justificasse a divisão em dois filmes para finalizar a série, uma vez que o redondo filme anterior poderia, com uma redução de eventos e um aumento de duração, solucionar a saga. E então a esperada “batalha final” não passa de uma visão de Alice (Ashley Greene), e isso é um ponto positivo.

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Os últimos minutos de Amanhecer – Parte 2 certamente são as cenas mais emocionantes da série inteira. Numa colagem romântica e clichê dos momentos mais especiais da vida de Bella e Edward ao som da fofa — e hoje em dia gasta — A Thousand Years, de Christina Perri, e com mais uma jura de amor eterno, se encerra a série que manteve fãs suspirando e ansiosos por cinco anos.

A impressão que fica ao rever A Saga Crepúsculo sete anos depois de seu fim, é de que os fãs que amaram podem assistir aos filmes mais uma vez sem medo, pois a essência romântica e fantasiosa que os conquistou segue ali, firme e forte. Para os que torceram o nariz para a saga na época do lançamento, vale a pena dar uma chance (ou mais uma chance), seja para tentar se conectar com o universo, ou dar boas risadas, seja com a atropelada direção cinza azulada e amadora do primeiro filme, ou com o bebê em CGI de rosto escorregadio do último. Para o que vos escreve, valeu a pena revisitar a série.

 

RANKING DOS FILMES (de acordo com o redator):

  1. ECLIPSE (2010)
  2. LUA NOVA (2009)
  3. AMANHECER – PARTE 1 (2011)
  4. CREPÚSCULO (2008)
  5. AMANHECER – PARTE 2 (2012)

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