[Texto] Parabéns, Fernanda Montenegro!

Os noventa anos de dona Fernanda Montenegro

Nascida num 16 de outubro do ano de 1929, Arlette Pinheiro da Silva, mais tarde Arlette Pinheiro da Silva Torres, nossa gigantesca Fernanda Montenegro tinha a missão de trazer luz com sua arte, e assim o fez. 

Fernanda iniciou a vida artística no início da década de 50 na peça Alegres Canções nas Montanhas, ao lado do marido, o saudoso Fernando Torres. Não parou mais. Dona Fernanda agraciou o público da TV Globo no ano de 1981 quando participou de Baila Comigo, responsável por marcar o início da trajetória das Helenas de Manoel Carlos. Na trama protagonizada por Lílian Lemmertz e Tony Ramos — que vivia gêmeos —, Fernanda deu vida a Sílvia Toledo Fernandes, personagem escrita especialmente para ela pelo autor. Ainda no mesmo ano, viveu Chica Newman também no horário nobre em Brilhante, de Gilberto Braga. Na novela, Chica designava a designer de joias Luísa (vivida por Vera Fischer) para casar com seu filho Inácio, papel que coube a Dennis Carvalho, que era homossexual.

Fernanda interpretando Charlô na icônica cena da briga em Guerra dos Sexos

A carreira da atriz pela televisão é gigantesca, e tem personagens fortes como a Charlô, de Guerra dos Sexos, a Naná de Cambalacho e a cafetina Jacutinga de Renascer. Mais recentemente pôde ser vista em A Dona do Pedaço, atual cartaz do horário nobre da Globo onde na primeira fase deu vida à matriarca assassina Dulce, responsável pela chacina da família Matheus, do personagem de Marcos Palmeira. Em 2012 foi agraciada com o Emmy Internacional de Melhor Atriz pela divertida Dona Picucha de Doce de Mãe.

E no cinema, Fernanda encantou e emocionou. Colecionando trabalhos como Eles Não Usam Black-tie e O Auto da Compadecida, levou o mundo às lágrimas como a bruta Dora de Central do Brasil, escrito por Marcos Bernstein e João Emanuel Carneiro (autor de obras como Da Cor do Pecado e Avenida Brasil), e dirigido por Walter Salles, papel que inclusive lhe rendeu o Urso de Prata no Festival de Berlim e ainda uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, o qual não venceu (injustamente). Mas não nos cabe esta discussão, afinal de contas, dona Fernanda é maior do que isso. Também co-protagonizou o sensível e potente drama Casa de Areia ao lado da filha, a brilhante Fernanda Torres.

Fernanda em “Central do Brasil”, papel que lhe rendeu a indicação ao Oscar de Melhor Atriz

Além dos inúmeros prêmios que constam na carreira da artista, Fernanda foi condecorada, em 1999, com a maior comenda civil do país, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, entregue pelo presidente da época, Fernando Henrique Cardoso. Em 2013 ainda foi eleita a décima-quinta celebridade mais influente do país pela revista Forbes.

Nestes noventa anos nos cabe agradecer a dona Fernanda Montenegro, este símbolo de arte e resistência no Brasil, que nos lembra sempre que está em cena e até fora dela que é permitido sonhar, lutar, resistir e principalmente, amar. Salve Fernandona!

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