[Análise] Verão 90

“Verão 90” conquistou o público com sua nostalgia e descompromisso

Desenvolvida em meados de 2015 e aprovada em 2016, quando ainda era chamada de Anos Incríveis, a novela de Izabel de Oliveira e Paula Amaral, hoje o grande sucesso de público Verão 90 ainda chegou a sofrer pelo menos dois adiamentos até que chegasse ao ar, em janeiro deste ano.

A novela, que aborda as histórias dos ex-integrantes do trio Patotinha Mágica, uma espécie de Balão Mágico, de grande sucesso nos anos 80 tempos depois do sucesso e sua busca por fama. Manuela Renata (Isabelle Drummond) era a estrela do grupo, e na fase definitiva da novela busca o sucesso como atriz, sendo sempre mal aconselhada — e mal acompanhada — pela mãe, a histriônica ex-estrela das pornochanchadas Lidiane (Claudia Raia).

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Isabelle Drummond e Claudia Raia vivem mãe e filha em Verão 90

Já os irmãos João (Rafael Vitti) e Jerônimo (Jesuíta Barbosa) Guerreiro vivem em pé de guerra no sul do país, dando várias dores de cabeça à mãe, Janaína (Dira Paes). Mau-caráter, Jerônimo mente, manipula e até rouba a mãe, fugindo para o Rio de Janeiro na tentativa de subir na vida, tal e qual a icônica Maria de Fátima vivida por Glória Pires, em Vale Tudo, de 1988. João, também na Cidade Maravilhosa, reencontra Manu, e os dois viveram um romance, por certo tempo atrapalhados pelo vilão, que logo se aliou à mau-caráter Vanessa (Camila Queiroz) para viverem de golpes e manipulações.

Já em sua reta final, a novela nunca teve medo de se assumir como um grande amontoado de clichês. Sustentada em sua maior parte por esquetes de humor, trama contagiou o grande público e se consagrou como um dos maiores sucessos do horário das 7 da década. Apelando para o saudosismo e a nostalgia, aliada a uma trilha sonora épica, como poucas vistas ultimamente, tornou-se um prato cheio para aqueles que preferem fugir de tramas mais realistas, como a sombria Órfãos da Terra, atual cartaz do horário das seis.

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Jesuíta Barbosa e Rafael Vitti como os irmãos João e Jerônimo

Entre as performances, é necessário destacar positivamente o trabalho de Camila Queiroz como a arrivista Vanessa. A atriz só cresceu com seus ótimos trabalhos anteriores e aqui se mostrou excepcional. Todo o deboche e as vilanias da personagem funcionaram muito bem, além do tato para o humor que ela provou ter. Ainda nos destaques positivos, Rafael Vitti mostrou mais uma vez seu talento para segurar mocinhos, assim como a Janaína de Dira Paes, que conquistou o público como a mãe batalhadora que nunca se deixou abater pela vida. Claudia Ohana também se destacou como a orelha e irmã da personagem de Dira.

A mocinha de Isabelle Drummond acabou ofuscada e sem enredo, ficando durante boa parte da novela relegada a esquetes extremamente repetitivas ao lado de Claudia Raia em homenagens até forçadas em alguns casos à teledramaturgia nacional, mas foi salva por seu carisma ímpar. Claudia construiu uma caricatura de Lidiane que, mesmo com seus tiques forçados e deslocados por vezes, arrancou risadas do público. Totia Meirelles, Gabriel Godoy — excepcional —, Fabiana Karla, Dandara Mariana, Klebber Toledo e Ícaro Silva também apresentaram ótimos trabalhos aqui.

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Camila Queiroz brilha na pele da arrivista Vanessa Dias

O problema da novela ficou nas mãos do vilão de Jesuíta Barbosa, que não convenceu com suas caras e bocas e demorou para encontrar o tom do personagem. O que acabou por salvar a performance do ator foi a ótima química com Camila Queiroz. A comicidade do enredo acabou afetando o estilo de trabalho do ator, acostumado a personagens mais densos.

O Quinzão de Alexandre Borges sofreu do mesmo problema. A afetação excessiva do ator e a repetição de seus tipos anteriores da carreira deixou um gosto amargo no resultado da obra. Débora Nascimento apresentou o padrão de sua carreira como a alcoólatra Gisela, enquanto Caio Paduan se saiu bem na pele do aproveitador Quinzinho.

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A família Ferreira Lima, chefiada pela vilanesca Mercedes (Totia Meirelles)

O mocinho de Humberto Martins também foi um problema, uma vez que sua dobradinha com Dira Paes não deu certo e ela acabou nos braços do carismático Raimundo de Flávio Tolezani. O ex-ator de pornochanchada Herculano de Martins acabou saindo de cena a pedido do ator, com uma volta ainda incerta pelo roteiro.

A direção de Jorge Fernando trouxe de volta o estilo de câmeras utilizado há décadas e ganhou pontos ao encontrar inventividade no clichê. A montagem ágil da novela também colabora, ainda que diversos momentos dramáticos tenham perdido força pela direção. Erros crassos na linha temporal da novela também acabaram por prejudicar a trama. Num dos capítulos exibidos no mês de junho, a personagem de Claudia Raia atribuiu a autoria de Fera Ferida, de Aguinaldo Silva, a Gloria Perez.

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Dira Paes e Claudia Raia defenderam brilhantemente as mães dos protagonistas

O colorido da novela e sua nostalgia fazem valer a experiência de entretenimento descompromissada que é Verão 90, ainda que os erros extremamente aparentes da obra acabem por comprometer — pouco — o resultado final. No dia 29 a novela passa o bastão para Bom Sucesso, trama de Rosane Svartman e Paulo Halm (autores de Totalmente Demais), estrelada por Grazi Massafera, Romulo Estrela, Antonio Fagundes e Fabiula Nascimento. Os vilões ficam a cargo de Ingrid Guimarães, Armando Babaioff e Sheron Menezzes.

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