[Crítica] O Homem Perfeito

Sustentado pela performance da protagonista, “O Homem Perfeito (2018)” faz um belo trabalho se valendo dos clichês do gênero

Chegando em meio a uma safra de boas comédias românticas tupiniquins que a década de 2010 vem trazendo, O Homem Perfeito, filme de Marcus Baldini, consegue fazer um feijão com arroz divertido sustentado sobretudo, pela performance de Luana Piovani, na pele da escritora Diana.

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Luana Piovani protagoniza o longa dirigido por Marcus Baldini

Ghost writer que responde pelas autobiografias de inúmeras celebridades brasileiras, Diana passa por uma crise em seu casamento com o infantil cartunista Rodrigo (Marco Luque). Depois de um rompimento, ela descobre que ele está se envolvendo com uma moça mais jovem, a dançarina Mel (Juliana Paiva), e então, opta por criar um homem ideal na internet para separá-la de seu ex-marido, ao passo em que conta com a ajuda de seu biografado da vez, o machista Caíque (Sérgio Guizé).

É interessante salientar que o filme consegue propor uma boa crítica partindo de uma premissa batida e até machista que fez muitas comédias românticas bem-sucedidas. O trabalho da protagonista surge como algo orgânico no filme, uma vez que suas habilidades como contadora de histórias são usadas como trunfo na hora de manipular Mel.

Juliana Paiva e Marco Luque vivem Mel e Rodrigo

Quando a convivência entre Diana e Caíque se torna mais corriqueira o filme mostra seus melhores diálogos, jogando em evidência as críticas de uma feminista Diana ao machismo, ao mesmo tempo em que fica clara sua hipocrisia, afinal de contas, ela está manipulando uma jovem puramente por ciúmes de um homem que nunca que lhe deu o devido valor. Ao atingir o ponto de clímax quando as coisas começam a se evidenciar, fica nítido como os personagens aprendem com seus atos ao longo do filme, mérito do roteiro de Tati Bernardi e Patrícia Corso.

Infelizmente, alguns pontos negativos ficam por conta do desenvolvimento, uma vez que, como é que Mel, jovem e antenada, não desconfia que pode estar sendo alvo de catfishing? São poucos os desdobramentos dificultadores aqui, onde as situações se resolvem rápido demais, sem grandes ações para isso.

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Luana Piovani dá um show à parte. Extremamente confortável no papel da escritora, sustenta o filme com sua presença. Juliana Paiva também não deixa por menos e cativa com sua mocinha. Ponto negativo para o personagem de Marco Luque — sinceramente, é difícil comprar o fato de que duas mulheres totalmente capazes e imponentes se apaixonem pelo tipo babaca e infantil que o personagem representa. O bronco roqueiro vivido por Sérgio Guizé esbanja química com a protagonista e gera ótimos momentos de reflexão para o que dizemos e ouvimos no cotidiano com suas frases machistas.

O Homem Perfeito consegue usar os clichês a seu favor para contar uma história que você provavelmente já viu com ingredientes diferentes, uma boa execução e um elenco competente. Faltava um roteiro um pouquinho mais trabalhado, mas o filme cumpre o que promete e serve fácil fácil para aquele dia de chuva, ou pra aquele entretenimento good vibes de fim de noite.

7,5 / 10

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