[Crítica] Shazam!

Com uma palavra mágica, Shazam conquista seu lugar de direito no panteão de heróis da DC

Atenção: o texto contém spoilers

Sinopse:

Billy Batson (Asher Angel) tem apenas 14 anos de idade, mas recebeu de um antigo mago o dom de se transformar num super-herói adulto chamado Shazam (Zachary Levi). Ao gritar a palavra SHAZAM!, o adolescente se transforma nessa sua poderosa versão adulta para se divertir e testar suas habilidades. Contudo, ele precisa aprender a controlar seus poderes para enfrentar o malvado Dr. Thaddeus Sivana (Mark Strong).

O filme do verdadeiro Capitão Marvel… Você não sabe do que eu estou falando, né? Vou explicar. Originalmente, o herói foi concebido em 1939/1940 como Capitão Marvel, tendo suas histórias em quadrinhos publicada pela falecida Fawcett Comics. Após um embate judicial de 10 anos com a National Publications (que viria mais tarde a se tornar a DC Comics), alegando muitas semelhanças entre o Capitão Marvel e Superman (?), a Fawcett saiu vitoriosa, porém as vendas sofreram uma queda… Fazendo com que anos mais tarde seus personagens fossem adquiridos por outras editoras. A Família Marvel passou a fazer parte da DC Comics oficialmente na década de 80, mas aí outra coisa já estava rolando: a Marvel Comics já havia registrado a revista de outro personagem chamado Capitão Marvel em 1967 (O Mar-Vell). Desde então, a DC não pôde referir-se ao personagem como Capitão Marvel em títulos oficiais, passando a adotar o nome de Shazam oficialmente em 2011. Curiosamente, o herói vivido por Zachary Levy não é chamado de Shazam durante todo o filme (tampouco de Capitão Marvel), o que acaba meio que sendo uma brincadeira de Billy e Freddy em escolherem um nome de herói.

O novo longa da DC/Warner estreou no dia 04 de Abril e seguindo a linha das aventuras solo dos super-heróis do DCU, cumpre bem seu papel quando se trata de entretenimento. Shazam é um filme divertido e carismático no melhor estilo “sessão da tarde”, porém, agrada bastante. Zachary Levi está perfeito no papel de uma criança presa num corpo adulto. Asher Angel é um ótimo Billy Batson, um garoto órfão problemático que passa por vários lares de adoção, entretanto, seu lado problemático tem um contexto que é explicado logo nas partes iniciais do filme, tal qual a motivação do vilão principal Thaddeus Sivana (no original)/Silvana (em português). É bom explicar logo de início as motivações do vilão e do mocinho? Sim, se pensarmos que isso evita um desgaste, o espectador já passa a entender tudo desde o início. Não, se pensarmos que isso acaba tornando o restante do plot previsível. Isso se torna um problema? De forma alguma. Mesmo com alguns clichês e previsibilidade, o filme flui bem e de certa maneira, gostosa, de forma que o espectador não se incomoda com esses detalhes. O drama pessoal de Billy em relação a sua antiga família e aceitação de sua nova família é o que move a trama em alguns pontos e acaba sendo essencial para motivá-lo a aceitar a sua nova condição de estar inserido em um novo ambiente familiar. Isso que o filme acaba se tornando, um filme família.

Uma coisa que eu senti muita falta foi da explicação da origem dos poderes do Shazam. Talvez pela pressa do mago em conseguir logo um campeão que o substituísse, acho que este ponto deixou a desejar. Claro que quem conhece o personagem de longas datas sabe do que se trata e também reconhece em tela, mas em momento algum (ao menos, não que eu me lembre) o Mago explica as dádivas dos deuses que juntos compõe o nome Shazam: sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio. Vemos na prática Billy, já transformado em Shazam, utilizando vários desses poderes principalmente se valendo do poder de Zeus. Senti falta também do uso da sabedoria de Salomão, coisa que acontece apenas uma vez no filme, que é justo no último ato quando ele pensa na solução para vencer Silvana. Não se pode justificar o filme inteiro que Billy é uma criança num corpo de adulto, isso funciona para várias coisas, mas não para todas. A sabedoria de Salomão é uma das qualidades primordiais que define quem ele é e espero que isso seja trabalhado no futuro.

Mas o filme está recheado de surpresas boas que vou listar agora:

 

  • O elenco infantil é ma-ra-vi-lho-so! Apesar de alguns personagens terem aparecido menos no decorrer do longa, outros simplesmente roubaram a cena, como é o caso da Darla (Faithe Herman)! Sério, cada vez que essa garota aparece em cena você sente vontade de guarda-la num potinho de tão fofa! Hollywood, fiquem de olho nesta pequena! Vale também o destaque para o Freddy (Jack Dylan Grazer) que atua o tempo quase todo ao lado de Billy (Asher Angel) onde ambos criam uma relação de camaradagem.

 

  • Universo DC: fiquei realmente feliz em ver que o filme não só faz referências ao universo DC como também ele está inserido nesse universo! Sim, existe o Batman, o Superman, o Aquaman… Todos eles na mesma realidade de Shazam e não como parte de uma ficção. É confortante ver cenas em que o Freddy mostra uma bala que foi utilizada contra o Superman e um batarangue, isso faz você pensar que um dia, quem sabe, num futuro não tão distante (espero) o nosso herói possa atuar na Liga da Justiça.

 

  • Silvana: eu não tenho palavras para descrever Mark Strong em cena. Ele é simplesmente absurdo. O cara entrega um Silvana fantástico, imponente e obstinado, longe da figura de cientista ridículo dos quadrinhos.

  • Família Marvel: a maior e melhor surpresa, talvez, tenha sido a aparição da Família Marvel, ou melhor, Família Shazam. A forma que Shazam encontra de resolver o desafio e vencer Silvana é trazendo a família de magos para ocupar os tronos vazios. Dividir o poder entre seus irmãos e torná-los cada vez mais uma família. Destaque para Mary (antiga Mary Marvel) e Freddy (antigo Capitão Marvel Junior) vivido por Adam Brody (mais uma surpresa aí). Para quem não sabe, a família Marvel/Shazam existe desde a época em que as histórias em quadrinhos eram publicadas pela Fawcett Comics, composta por Mary Marvel, Capitão Marvel Jr e Tio Marvel. Eugene, Darla e Pedro foram criados posteriormente na minissérie Ponto de Ignição (Flashpoint Paradox).

  • A última cena: bem, essa foi a melhor cena de todas. Embora eu tenha dito lá em cima que o texto possui spoilers, não vou contar isso aqui porque creio que valha a surpresa. A meu ver, a última cena poderia muito bem ser uma cena pós-créditos.

Como fechamento, vos digo que vale muito a pena assistir Shazam no cinema, principalmente para um público muito jovem que não conhece o personagem, é um ótimo filme de introdução. Para quem é fã saudoso do personagem, vale a pena assistir também e catar as várias referências que aparecem diversas vezes no longa.

8,5 / 10

Fontes:

Família Marvel

Fawcett Comics

Sinopse e informações técnicas

 

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