[Crítica] Dumbo

O primeiro de uma leva de live-actions que a Disney está trazendo em 2019, Dumbo chega aos cinemas com a direção do grande Tim Burton, mas será que ele conseguiu fazer jus à animação dos anos 40?

Bom, primeiramente temos que lembrar que esse live-action é uma versão COMPLETAMENTE diferente da animação, onde nos é apresentada uma segunda visão, não focando apenas no elefantinho. Além de que, algumas partes do filme de 1941 não pegariam bem nos dias atuais, como quando o Dumbo fica bêbado ou o fato de na animação mostrar que estava “tudo bem” em ter animais no circo (coisa que eles tocaram no assunto no final do live-action). Mesmo assim, tiveram partes que homenageiam a animação de alguma forma.

Mas teve uma coisa que pesou bastante no longa. O Dumbo praticamente perde seu protagonismo para a família que cuida dele e as atenções de quem assiste fica na trama da situação que o circo se encontra e a tentativa de um ex astro do circo de encontrar seu caminho. E isso pode ter sido o maior erro do filme.

Vamos lembrar de como era a animação: tínhamos a visão voltada pra situação do Dumbo, a questão do bullying, do isolamento da sua mãe e dele mostrando que poderia ser muito mais do que vêem nele, ganhando sua autonomia e a descoberta do seu vôo apenas no final. Já no live-action, essas situações são nos apresentadas tão superficialmente que nem sentimos tanto o seu impacto quanto deveria, tanto que ficamos saturados de ver o Dumbo voando. O foco maior está em mostrar uma família deturpada, a ganância do ser humano e a busca pela autorrealização.

A trama central fica praticamente centrada na família do circo, em especial para os Farrier, com aquele clichê de pai viúvo que volta da guerra e não sabe se conectar com seus filhos, tendo que lidar com a perda do brilhantismo que o circo tinha em outras épocas. O filme foca tanto nessas questões humanas que esquecemos totalmente a estrela principal, que dá nome a trama.

Acredito que, além de todo essa tentativa de colocar um tom mais realista pro filme,  a péssima atuação prejudicou bastante. Colin Farrell nos apresenta um Holt Farrier sem empatia alguma e as crianças Nico Parker e Finley Hobbins que fazem seus filhos, Milly e Jose Farrier respectivamente, são os piores de todos em questão de passar qualquer expressão. Esse trio de protagonistas parecem robôticos e automáticos em cena, tão superficiais que não conseguimos ter qualquer conexão com os mesmos. Apenas o Danny DeVito, fazendo o dono do circo Max Medici, que consegue trazer algum carisma, mas até ele fica apagado em alguns momentos.

A coisa começa a ficar realmente interessante quando nos são apresentados V.A. Vandevere (Michael Keaton) e Colette (Eva Green). Keaton faz um vilão caricato mas muito bem entregue a cada cena (que fez parecer muito um Walt Disney do mal, seria a Disney criticando ela mesma?) e a Green, apesar de não ter tanto destaque, traz um brilhantismo que só ela tem. Mas é apenas isso, o roteiro não ajudou em nada no aprofundamento dos personagens. Muitos plots de personagens humanos a serem apresentados e muito pouco abordados, nos dando uma enxurrada de informações e pouco carisma e ligação emocional com eles.

Ai você me pergunta: e o Dumbo? Viu como ele está tão escanteado no próprio filme que falei até agora e mal o citei? O Dumbo fica tão em segundo plano que ele demora até a ser apresentado em cena e perde todo o impacto do seu ápice  principal ao descobrir logo no primeiro ato do filme que ele consegue voar. Até a música “Baby Mine”, que é conhecida como uma das músicas mais tocantes que faz até pessoas duronas chorarem, foi nos apresentada tão ridiculamente por uma coadjuvante irrelevante que nem sequer sentimos nada com a separação do elefantinho de sua mãe. Mas claro, o CGI dele e dos outros animais está INCRÍVEL, selo Disney de produção sempre presente, com o toque do Burton vidivev mas que poderia ger sido explorado melhor. Até foram acrescentados uns toques cartunizados pra trazer um pouco mais de fofura e emoção para o Dumbo, mesmo que ele não consiga conquistar tanto quanto a animação, mas suas cenas são com certeza as melhores.

O live-action do Dumbo não traz grandes inovações, uma trama incrível e muito menos emocionante. Quem esperava, assim como eu, sair chorando da sala de cinema acabou ficando com a decepção de um bom clássico sendo tão mal utilizado dessa forma.

6,5 / 10

 

 

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