[Crítica] Assunto de Família

O vencedor da Palma de Ouro em Cannes no ano passado, “Assunto de Família”, do diretor e roteirista Hirokazu Kore-eda, famoso por suas visões familiares nas telonas, trás consigo uma forma diferente de representação familiar, narrando a história de uma família pobre, que para sobreviver precisam cometer pequenos furtos. Em uma noite depois de uma de suas sessões de furtos, Osamu (Lily Franky) e seu filho (Jyo Kairi) se deparam com uma garotinha (Miyu Sasaki) no frio congelante. A princípio relutante em abrigar a menina, a esposa (Sakura Ando) de Osamu concorda em cuidar dela depois de saber das dificuldades que enfrenta, mesmo vivendo em condições sub-humanas eles parecem viver felizes juntos até que um incidente imprevisto revela segredos escondidos, testando os laços que os unem.

Assunto de Família 01

Hirokazu Kore-eda nos apresenta a forma mais singela de se fazer cinema, onde deixa de lado os grandes efeitos visuais e investe em um roteiro grandioso se preocupando em não deixar pontas soltas e dar atenção aos mínimos detalhes da trama. Outro ponto forte do longa é a utilização de planos abertos que ajudam na visualização da realidade na qual a família vivia, deixando o espectador se sentir como parte da família.  Já a fotografia, não é tão espetacular, porém, utiliza de forma inteligente as paletas de cores amareladas e azuladas que narram com excelência a passagem do tempo – verão e inverno. Em nenhum momento, o elenco deixa a desejar, contudo, o ponto alto do filme fica por conta da pequena atriz Miyu Sasaki e da veterana Kirin Kiki, que dão um verdadeiro show de atuação.

Com um início lento e um tanto maçante, o filme ganha ritmo no segundo ato, tornando seu desdobramento cada vez mais interessante. Ao chegar perto da conclusão, somos apresentados a um “mar” de voltas e viravoltas, revelando o que seria uma família feliz e unida na verdade não passavam de pessoas simuladas, onde aos poucos cada membro vai deixando suas “máscaras caírem”. Em nenhum momento o diretor ameniza a gravidade dos erros da família, ele apenas passa credibilidade aos personagens através de sua construção naturalista, fazendo com que o espectador tenha empatia com os mesmos. Toda essa narrativa me levou a uma nova perspectiva dos fatos, que apesar de não concordar com suas atitudes, fui capaz de compreender suas motivações.

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A obra trás consigo uma mensagem bastante importante e reflexiva. A todo momento nos faz reavaliar o verdadeiro significado da família e nos faz perguntas como: Será que o laço de sangue é mais importante do que o laço afetivo?

Assunto de Família é um novo marco do cinema humanista e demonstra um realismo social bastante presente não só no Japão, mas em todo mundo. Com toda certeza, será um concorrente a altura de “Roma”, na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar deste ano. Prestigie essa linda obra no cinema e não deixe a oportunidade passar.

9,5 / 10

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