[Crítica] Aquaman

Atenção: este texto pode conter spoilers.
Após dividir opiniões com Liga da Justiça (2017), a DC chega chutando bundas com o prometido filme do Aquaman!

Como começar falando sobre esse filme que mal estreou e já considero pakas? Bom, vamos ao início. A narrativa se inicia com Arthur Curry (Jason Momoa) contando um pouco da sua história e mostra como a rainha Atlanna (Nicole Kidman) conheceu um simples faroleiro e a partir dessa união, nasceria aquele que uniria os dois mundos. Porém, como nem tudo são flores, conflitos surgem para edificar o caráter e personalidade do herói. Desde cedo o jovem Arthur sofre com a ausência da mãe, sendo o pai a figura mais importante de sua relação interpessoal.

A trama do filme é inteiramente baseada/inspirada na série de quadrinhos do Aquaman Novos 52 que vai de “As profundezas” até “O trono de Atlântida“, escritas por Geoff Johns (que também assina o roteiro do longa) e ilustradas por Ivan Reis e Joe Prado, certamente quem leu vai identificar as referências. Mas óbvio que como toda adaptação, o filme tem suas diferenças em relação a obra original, onde por exemplo, nos quadrinhos e na animação de “trono de Atlântida” boa parte da ação conta com a participação da Liga da Justiça enquanto na aventura solo do nosso herói, toda a guerra se desenvolve pelos sete mares apenas com o envolvimento dos exércitos aquáticos. De forma resumida, a trama se passa após os eventos de Liga da Justiça, quando o príncipe Orm (Patrick Wilson) decide declarar guerra a superfície e a princesa Mera (Amber Heard) convence Arthur de que ele é o único que pode deter os desejos de loucura do irmão, assim, os dois partem numa aventura pelo mundo em busca do Tridente de Netuno – sim, aquele tridente lindo e dourado, em que reside o poder de Atlântida e dizem que seu portador pode com ele unir os mundos.

Por mais que pareça que os trailers divulgados tenham entregado tudo (inclusive, aquele trailer de 5 minutos que mostra a busca pelo tridente no deserto), a grande surpresa do filme é que não, não entrega! As cenas mostradas nos trailers não são nada em comparação a grandiosidade do filme – nesse sentido, podemos afirmar que Aquaman é um épico, quase um Star Wars submarino! Claro que o filme não foge dos clichês e previsibilidade, um exemplo disso são as explosões interrompendo as conversas importantes em vários momentos. Porém, não estraga a experiência do filme como um todo. Uma coisa que não posso deixar de mencionar quando falamos de “épico” e “grandiosidade” são os efeitos visuais, o que tornou o filme absurdamente bonito: é lindo quando surge Atlântida e todos os reinos submarinos e suas criaturas, desde os peixes mais simples até as mais complexas criaturas do Fosso e do reino da Salmora. Também é notável a utilização dos efeitos nas cenas de batalhas e quando Mera utiliza seus poderes de manipulação da água. Por último e não menos importante em relação aos efeitos visuais: sensacional ver Nicole Kidman e Willem Dafoe rejuvenescidos.

Quanto ao quesito atuação e caracterização, bem, obviamente a principal mudança está no próprio Aquaman desde que Jason Momoa fora escalado para o papel. Inicialmente muitos desgostaram devido a natureza/aparência um tanto rústica do ator, chegando a compará-lo ao personagem Lobo (isso mesmo, o Maioral). E talvez Momoa representasse um excelente Lobo sem dificuldades, entretanto, não podemos dizer que a escolha foi ruim, pelo contrário: Momoa trouxe para o personagem o carisma que lhe faltava em tela, uma vez que o mesmo nos quadrinhos/animações sempre fora mostrado como um cara sisudo, sério, sem senso de humor. Por mais que a popularidade do herói tenha crescido a partir dos quadrinhos na série dos Novos 52, o velho Aquaman não funcionaria em tela, principalmente em conjunto com Batman e Superman, traria um tom mais pesado para a equipe. A personalidade badass do Aquaman “zoeiro” nos foi apresentada em Liga da Justiça (2017) e creio que para os moldes atuais, funciona bastante em tela, portanto, esta mudança de personalidade do personagem não caracteriza um problema. Já a caracterização também não deixa a desejar, principalmente quando ele surge em posse do Tridente de Netuno trajando o seu clássico uniforme laranja e verde – atrevo-me a dizer que apesar desse momento ter sido revelado no trailer, foi um dos pontos altos do filme.

Amber Heard nos entrega uma Mera sensacional, cheia de poder e uma personalidade forte tal qual nos quadrinhos. Também apresentada ao público em Liga da Justiça (2017), em Aquaman ela atua como personagem principal ao lado de Arthur em praticamente toda a jornada, surgindo como aliada do meio atlante e fechando como a rainha dos sete mares que deveria ser. Mera é a força das águas em forma de mulher, ela funciona como contraparte de Arthur, a harmonia entre eles traz um balanço, um equilíbrio. Ela é a filha de Nereus, rei da tribo atlante Xebel, interpretado por Dolph Lundgren, que se mostra um rei imponente tanto na sua caracterização quanto na personalidade.

Patrick Wilson é conhecido de longa data em filmes de super heróis, tendo interpretado o vigilante pacífico e inteligente Coruja em Watchmen – O Filme (2009). Aqui ele surge como Orm, o irmão invejoso de Arthur que almeja se tornar o Mestre dos Oceanos ao subjugar os sete reinos para em seguida declarar guerra a superfície. Wilson mostra-se frio e manipulador no papel de Orm, o clássico vilão.

Yahya Abdul-Mateen II surge como o Arraia Negra e o mais interessante é que apesar do pouco tempo de tela, ele surge em momentos pontuais e podemos ver sua ascensão de mercenário ao grande vilão. É gratificante ver que o Arraia não está ali como um cara aleatório que apenas quer acabar com o Aquaman e sim que ele tem uma motivação pessoal para isso e está diretamente envolvido/subordinado a Orm.

A rainha Atlanna, interpretada por Nicole Kidman é um show a parte e me faltam palavras para descrever o mulherão que é Nicole. Ela consegue nos transmitir todos os sentimentos que a dominam, desde a confusão de estar lidando com o desconhecido ao amor por Tom Curry (Temuera Morrison) e pelo pequeno Arthur. Também está incrível em suas cenas de luta, sensacional a forma como ela retrata o seu amor de mãe pelos dois filhos.

Por último e não menos importante, Willem Dafoe é Vulko, conselheiro do trono de Atlântida. Ele funciona como uma espécie de mentor para Arthur desde criança, o ensinando a nadar e lutar como um verdadeiro Atlante. Enigmático, Vulko aparece mais como espectador, um agente infiltrado disposto a interferir nos planos de Orm de forma discreta, sendo leal a Atlanna e a Arthur. Apesar de bem executado, a participação de Dafoe deixa um pouco a desejar para um ator tão brilhante. Queria ter visto mais dele – sim, eu adoro o Willem Dafoe, não vou mentir.

Como conclusão, Aquaman é um filme excelente, bem dirigido, roteiro bem alinhado com começo, meio e fim. Um verdadeiro espetáculo visual de tirar o fôlego, cheio de referências e se eu pudesse resumir tudo isso em apenas uma palavra, essa palavra seria “grandioso“. Vale muito a pena conferir nos cinemas, os efeitos 3D tornam a experiência mais agradável para quem curte os efeitos, porém, é dispensável. A previsibilidade e os momentos clichês do filme não estragam a experiência e não a toa, ao fechamento dessa análise, Aquaman teve a terceira melhor estreia do ano no Brasil e ostenta nota 7,9 no IMDB e 68% no Rotten Tomatoes e sua bilheteria mundial está na casa dos 600 milhões de dólares. O que é bom, mostra que assim como Mulher Maravilha (2017), a DC/Warner é feliz em filmes solos de seus heróis e com uma boa equipe criativa a máquina pode continuar girando em torno do sucesso em projetos futuros.

Dica: Vale a pena ler os quadrinhos do Aquaman Novos 52 (As Profundezas, Os Outros e Trono de Atlântida) e assistir a animação Liga da Justiça – O tono de Atlântida (2015).

9 / 10

Fontes:
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Autor: danygsouza

Bióloga, de nerd e louco cada um tem um pouco! ;)

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