“Mãe e Pai”: Nicolas Cage insandecido, como o povo gosta!

Uma mãe conduz tranquilamente seu carro. No banco traseiro seu bebê repousa acomodado em seu assento. Após alguns instantes a mulher estaciona calmamente sobre os trilhos do trem e com esta mesma calma, abre a porta e abandona o veículo, segundos antes da locomotiva se chocar com o carro, ainda com seu filho dentro e a cena recebe um corte seco. Esta é a introdução do longa “Mãe e Pai” e acredite, é uma comédia.

Na trama acompanhamos a vida comum de uma tradicional família de classe-média americana do estado de Kentucky: O casal Brent (Nicolas Cage) e Kendall (Selma Blair), sua filha adolescente Carly (Anne Winters) e o caçula Joshua (Zachary Arthur). Em meio aos dilemas pessoais de cada uma das personagens (principalmente Brent e Kendall, que percebem cada vez mais a juventude se afastar e com ela seus sonhos e desejos) presenciamos nos arredores casos isolados de um surto de histeria coletiva que gradualmente se espalha por toda a cidade. Ninguém sabe exatamente a origem do fenômeno, mas os sintomas são claros: um impulso compulsivo dos pais de matarem seus próprios filhos!

Este inclusive é um dos acertos do diretor Brian Taylor (Adrenalina), afinal o clima frenético do longa não permite tempo para explicações. A calmaria do cotidiano facilmente dá lugar a loucura de tentar sobreviver a fúria descontrolada daqueles que em algum momento juraram lhes proteger. Em algo que parece uma mistura surreal de “Esqueceram de mim” e “Uma noite de crimes” com clima de terror B dos anos 70, o filme facilmente tira o público da realidade e, o que a princípio causava perplexidade e pavor, torna-se um acesso de humor negro que diverte até chegar aos créditos.

Se por um lado seguimos o ritmo enlouquecido da brincadeira de “gato e rato”, por outro a narrativa entrelaça os acontecimentos daquele dia com as lembranças e frustrações da vida que os filhos levam os pais a ter, momento onde essa crítica social distorcida começa a descer em nossa garganta e, numa catarse doentia, passamos a entender a mensagem por trás da histeria (a última frase do longa não deixa dúvidas quanto a isso).

Nicolas Cage, que há muito não emplaca um papel memorável, está mais canastrão que nunca, o que confere seu Brent um divertidíssimo ar cartunesco, repleto de caras e bocas. Selma Blair está maravilhosa, seja em suas crises depressivas devido ao peso da vida nas costas, quanto como a louca psicótica com o martelo de carne nas mãos. A química entre Cage e Blair nos presenteia com momentos deliciosamente engraçados. As crianças não ficam atrás. Vale a pena salientar ainda o momento onde os pais de Brent resolvem visitar o filho.

Definitivamente “Pai e Mãe” não é um filme para qualquer um, principalmente os mais sensíveis. Mas certamente aqueles que conseguirem entrar no clima, se desprender da realidade e embarcar no surto histérico, vão aproveitar cada instante dessa loucura familiar.

Nota: 7.5/10

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