[Crítica] Engenhoso e estrelado, “Oito Mulheres e Um Segredo” é diversão garantida

Ele teria adorado.
– Debbie Ocean.

É difícil rebootar uma franquia de sucesso tão redonda, sólida e masculina como a trilogia de Danny Ocean e seus homens, principalmente há dois, três anos atrás quando víamos um viés altamente machista em basicamente tudo e onde as mulheres e o feminismo em si não tinham o espaço merecido e de direito. Os tempos mudaram.

Reconcebida por Steven Soderbergh (remake do filme homônimo de 1960 estrelado por Frank Sinatra), a trilogia iniciada por Onze Homens e Um Segredo em 2001 mostrava o malandro Danny Ocean (George Clooney) recém-saído da prisão, reunindo um grupo de homens que caíam como luvas para as necessidades e habilidades na orquestração de grandiosos roubos. E renderam três filmes deliciosamente megalomaníacos cada um à sua maneira.

O movimento feminista e a voz das mulheres ganhou uma força enorme e necessária (embora menor do que a merecida) e obras como Mulher-Maravilha foram lançadas e isso abriu, como disse Anne Hathaway, as portas para falar-se sobre um filme como este.

Dado o devido contexto “histórico”, Oito Mulheres e Um Segredo (Ocean’s 8), tem um elenco astronômico feminino reunido que você raramente veria em algum filme. Produzido pelo criador da “trilogia original”, este reboot, que serve mais como continuação do que como reinício propriamente dito, “Oito Mulheres…” chega às telas dirigido e co-roteirizado por Gary Ross (Jogos Vorazes), e é aí que reside a maior fraqueza do filme.

Sandra Bullock é Debbie Ocean.

A trama tem início parecido com o de Onze Homens e Um Segredo. Aqui, Debbie Ocean (Sandra Bullock) está saindo da prisão depois de cinco anos e visita o suposto túmulo do irmão, Danny. Ao longo de seus anos na cadeia, ela planejou o que acredita ser um dos maiores golpes da história, o roubo de um Cartier estimado em 150 milhões de dólares durante um dos maiores bailes de gala anuais da alta sociedade de Nova York, o MET.

Para isso, são necessárias sete “elas”. Elas, nas palavras de Debbie, pois “Eles” seriam capazes de estragar o plano. E é então que, em pequenas esquetes somos apresentados ao grupo formado por Lou (Cate Blanchett), Nine Ball (Rihanna), Rose (Helena Bonham Carter), Amita (Mindy Kaling), Constance (Awkwafina) e Tammy (Sarah Paulson).

Para tal fato, é necessário que o colar saia do cofre da Cartier e vá ao baile, e Rose entra em ação como estilista da ingênua e fútil socialite Daphne Kluger (interpretada brilhantemente por Anne Hathaway), que acaba usando a peça.

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Anne Hathaway empresta seu charme à socialite Daphne Kluger.

O filme conta também com participações de Dakota Fanning, Kylie Jenner, Kim Kardashian, da brasileira Adriana Lima, Kendal Jenner, do cantor Zayn Malik, Katie Holmes e da chefe da Vogue, Anna Wintour, que inspirou a Miranda Priestly de O Diabo Veste Prada.

A projeção também é quase um desfile de moda. Várias marcas e segmentos da moda são pronunciados e fazem suas pontas aqui, o que deve agradar em especial a ala feminina, mas não tornará a experiência menos válida ou divertida para o público masculino.

A obra tem três atos bem-delineados e isso conta a favor do filme, que se mantém sempre ágil. Aqui temos um filme de assalto charmoso, sem nenhuma necessidade de armas ou do uso de violência. Destaque também para a divertida entrada de James Corden no terceiro ato como um investigador de seguradora. Os grandes nomes da produção são os de Anne Hathaway e Sandra Bullock, que entregam personagens um pouco menos unidimensionais, especialmente Hathaway. Rihanna surpreende na participação como a hacker Nine Ball, entregando charme e carisma no papel. As outras atrizes entregam bem um feijão com arroz típico, mas que poderia ter sido melhor incrementado, e é aí onde chegamos aos pontos negativos.

O fato de ser uma obra majoritariamente estrelada por mulheres necessitava de um pouco mais de tempo e atenção. O diretor Gary Ross cumpre bem seu papel, mas é inegável que uma participação feminina maior na direção e desenvolvimento do projeto traria mais profundidade à obra. Faltam aqui pelo menos uns vinte minutos a mais no desenvolvimento próprio das outras integrantes do grupo, que servem unidimensionalmente à obra. O filme definitivamente poderia ser um tanto mais longo. E como na maioria dos filmes de roubo, nada dá errado. Tudo é solucionado sem maiores problemas para as protagonistas.

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Com uma virada interessante, boas atuações, agilidade e um charme visual inegável, “Oito Mulheres e Um Segredo” vale muito o ingresso e merece ser visto no cinema. E que venham muito mais filmes com elencos femininos. São necessários!

8.9 / 10

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Autor: Lucas Felipe

Noveleiro e seriemaníaco, colaborador do “Olar Para Todos”

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