Marcado pela intensidade, primeiro capítulo de “Onde Nascem os Fortes” é dramaturgia de melhor qualidade

“Todo homem precisa de uma mãe…”

É assim que a canção de Zeca Veloso encerra a abertura que marca o início do primeiro capítulo da supersérie (antiga novela das 23h) da Rede Globo. E é isso que move a trama escrita por George Moura e Sergio Goldenberg, a maternidade, a família, os laços. Com 53 capítulos quase totalmente gravados, a produção global começou a ser rodada em setembro do ano passado (2017) na região nordeste do país. Com externas gravadas na Paraíba, no Piauí e no Recife, o cuidado e esmero da produção enchem os olhos de quem assiste.

Marco Pigossi, Patrícia Pillar e Alice Wegmann

Uma moça anda de bicicleta em pleno sertão do nordeste, cai e, frustrada, segue a pé com sua bicicleta ao lado. Dois homens descem de uma moto e se aproximam dela, intimidando-a, assediando-a. Um outro rapaz que passa desce de seu carro e os afasta. É assim que Maria (Alice Wegmann, brilhante no papel), mocinha recifense que busca trilhas de bicicleta com o gêmeo na cidade, e Hermano (Gabriel Leone, de Velho Chico), paleontólogo filho do “Rei de Sertão”, se conhecem.

Dali pra frente o capítulo se dedica a apresentar os personagens que compõem o universo da cidadezinha de Sertão, no interior do nordeste e mostrar os tipos que ali vivem. Temos Pedro Gouveia (Alexandre Nero), dono de uma fábrica de bentonita, conhecido como o Rei de Sertão, um personagem cheio de camadas, que pode ser um homem amoroso e cuidadoso, mas também pode fazer as vezes de vilão da história. Também somos apresentados a Joana (Maeve Jinkings), secretária e amante de Pedro, que será um dos principais pesos na nossa história.

Marco Pigossi e Alice Wegmann como os gêmeos Nonato e Maria

Na noite de Sertão, ao se envolver com Joana, Nonato (Marco Pigossi), irmão gêmeo de Maria, desperta o ciúme e a ira de Pedro, e some misteriosamente. Assim inicia-se a trama de Onde Nascem Os Fortes. A saga de Maria em busca de seu elo, seu outro eu, seu irmão gêmeo e o retorno de sua mãe, Cássia (Patrícia Pillar), à cidade de onde saiu para afastar um passado sombrio, são as principais storylines desta saga dramática.

O diretor José Luiz Villamarim, e os autores George Moura e Sergio Goldenberg

O texto da dupla George Moura e Sergio Goldenberg (das minisséries “O Canto da Sereia” e “Amores Roubados”) tem uma boa desenvoltura na boca dos atores e o sotaque nordestino trabalha a favor do telespectador. A direção é um show à parte, com imagens belíssimas e uma condução que apaixona quem assiste. Os atores estão trabalhando muito bem. Destaque para Alice Wegmann como a forte e intensa Maria, para Lara Tremoroux como Aurora Gouveia, portadora de Lúpus, e para Jesuíta Barbosa, irrepreensível como Ramirinho, ou Shakira do Sertão, com uma linguagem corporal impressionante.

Jesuíta Barbosa como Ramirinho, que se transforma em Shakira do Sertão na noite da cidade.

Este promete ser o projeto mais intenso e mais diferente das 23h. Com produções na faixa como “O Astro”, “Gabriela” e a aclamada “Verdades Secretas”, Onde Nascem Os Fortes promete trazer sensibilidade e deixar o espectador imerso no clima árido brasileiro. Com texto e direção do mais alto escalão de qualidade, aliados a um elenco primoroso, a mais nova produção da faixa das onze deve encantar a todos os públicos.

Onde Nascem Os Fortes estreia no dia 23/04, logo após O Outro Lado do Paraíso, e é imperdível! Vale a pena dar uma chance.

 

 

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Autor: Lucas Felipe

Noveleiro e seriemaníaco, colaborador do “Olar Para Todos”

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