Os Equívocos no Outro Lado do Paraíso

Por Lucas Felipe

Imagem 4 - Juliano Cazarré e Grazi Massafera como Mariano e Lívia

Quando Glória Perez deixou o público órfão de seu realismo urbano no dia 20 de outubro de 2017, quando foi ao ar o último capítulo de “A Força do Querer”, melhor obra das 21h desta década, todos tínhamos curiosidade de desvendar o que viria a seguir.

“O Outro Lado do Paraíso” era anunciada envolta em certo mistério e com toda elegância possível. Chamadas intensas com narração da grandiosa Fernanda Montenegro nos convidavam a não julgar, e conhecer os mistérios daquele lugar no Tocantins, o oposto do paraíso.

Com uma primeira fase épica, a trama contou com um primeiro capítulo inspirado e belíssimo em matéria de visual. À medida que os primeiros capítulos foram avançando a trama foi perdendo audiência e quase 30% do material gravado foi descartado para recuperar os números. Após uma primeira fase em pouco mais de trinta capítulos – um número bem grande para os dias atuais, em que as tramas costumam ter primeiras fases de 4 capítulos – e um avanço de dez anos na trama, um recorde de audiência foi registrado.

Imagem 1

Ultrapassando os quarenta pontos de audiência, a trama de vingança de Walcyr Carrasco (“Chocolate com Pimenta”, “Amor à Vida”) sobre a lei do retorno e um retrato do “inferno” na terra, vêm trazendo situações que irritam os telespectadores mais críticos.

Moças menores de idade indo trabalhar em bordéis na ânsia de perder a virgindade, um pobre retrato do alcoolismo e do nanismo, trama preconceituosa sobre personagens homossexuais e um agressor doméstico transformado em herói são apenas alguns dos desserviços que o mais novo sucesso de Carrasco traz.

Além do texto fraco marcado por frases como “cala boca já morreu, quem manda na minha boca sou eu” e a excessiva repetição das mesmas tramas, a novela brinca com a inteligência do telespectador ao apresentar uma mocinha que já ficou com dois outros personagens e quase casou com o vilão, mesmo amando outro mocinho.

Imagem 3 - Lima Duarte e Fernanda Montenegro como Mercedes e Josafá

Mas, nem tudo é condenável na trama, já que cenas emocionantes como o casamento de Mercedes (Fernanda Montenegro) e Josafá (Lima Duarte), e o retorno de Clara (Bianca Bin), rica, à cidade de Palmas vão entrar para a história da televisão brasileira.

O elenco, aliás, é um dos pontos altos da trama. Bianca Bin dá um show na pele da protagonista Clara, Laura Cardoso, Fernanda Montenegro e Fernanda Rodrigues vêm dando show. Por outro lado, Grazi Massafera, após dois grandes trabalhos em “Verdades Secretas” (também de Carrasco) e “A Lei do Amor”, vem sendo subaproveitada, ganhando duas cenas por capítulo. O mesmo acontece com Glória Pires na pele de Beth, numa subtrama equivocada sobre o alcoolismo.

Imagem 2 - Bianca Bin como Clara
Bianca Bin como Clara

Nem tudo é ruim no Outro Lado do Paraíso, mas com certeza poderia melhorar. Enquanto isso, nos contentamos com os altos índices da trama e esperamos por “Segundo Sol”, trama baiana de João Emanuel Carneiro (“Avenida Brasil” e “Da Cor do Pecado”), que trará Emílio Dantas, Giovanna Antonelli e Adriana Esteves nos papéis principais, com estreia agendada para maio.

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Autor: Olar Para Todos

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