[Crítica] Uma Dobra no Tempo

Essa semana, chegou aos cinemas a nova produção dos estúdios Disney: Uma Dobra no Tempo. Após assisti-lo e refletir, achei que o filme merecia mais do que apenas uma crítica e resolvi fazer uma pequena resenha sobre a importância do mesmo. Então você terá as duas vertentes aqui: o meu parecer quanto ao que achei da produção do filme e a minha experiência para com o mesmo. Preparados? Então vamos lá.

Uma Dobra no Tempo é um filme baseado no romance homônimo de 1963 da escritora Madeleine L’Engle, e que gira em torno de Meg Murray (Storm Reid) e seu irmão caçula Charles Wallace (Deric McCabe) que tentam levar a vida após 4 anos do desaparecimento do seu pai, Alex Murry (Chris Pine), um cientista renomado que trabalha em um projeto para tentar comprovar a existência de uma frequência no Universo que te permite viajar entre as dimensões, galáxias e planetas em questões de segundos. Até que recebem a visita de três seres celestiais, a Sra. Qual (Oprah Winfrey), Sra. Queé ( Reese Witherspoon) e Sra. Quem (Mindy Kaling), lhes chamando para embarcar em uma missão para resgatar o pai deles. Juntamente com as 3 senhoras e o colega Calvin (Levi Miller) eles viajam através de uma dobra no tempo conhecida como “tessering” e acabam precisando enfrentar a escuridão conhecida como “Aquilo“, que está envolvendo o Universo, para voltar à Terra.

O longa tem todos os elementos básicos que encontramos em praticamente todas as produções infanto-juvenis. Uma protagonista adolescente revoltada, antissocial, insatisfeita com sua aparência, com uma mente brilhante, mas que não acredita em seu potencial, e que após o desaparecimento do pai se fechou em seu mundo, sofrendo bullying de todos na escola. Um irmão caçula super dotado (que chega até a ser irritante algumas vezes, mas que traz um certo humor em outras) e um garoto bonitinho e popular que tem problemas familiares e tem uma quedinha pela nossa protagonista, mas que basicamente é um inútil na trama. Temos a aventura, os seres poderosos e sábios que guiam o grupo e tentam fazê-los explorar o que tem de melhor, e claro, a ameaça do mal. Nada novo em Hollywood, roteiro simples e mais clichê que isso é impossível.

Claro, podemos ver a todo momento o universo Disney dando suas caras. Produção de alto custo; um CGI que apesar de pecar em uma ou outra tomada, se mostra de uma forma simples e magnífica; trilha sonora tocante e incrível; E sim, toda a imagem que ela quer passar atualmente de mulheres guerreiras, bem como o seu eterno mantra: a força do amor e da fé em si mesmo. Nada poderia faltar em nenhuma produção dos estúdios.

Aliado a tudo isso, a diretora Ava DuVernay (que já foi indicada ao Oscar de Melhor Documentário, por A 13ª Emenda, e ao Globo de Ouro de Melhor Direção, por Selma) tentou trazer um filme que fosse totalmente inclusivo: mudando a etnia da protagonista para uma adolescente negra; os seres celestiais sendo uma mulher negra, uma branca e uma que não fosse de nenhuma das duas etnias, além de escalar mulheres líderes e que possuem um grande papel social nas mídias (afinal, que ser é mais poderoso no universo do que a Oprah, gente?). Tudo isso nesse novo cenário que Hollywood está enfrentando.

E é o que se trata a obra de Madeleine: a inclusão, auto aceitação e o amor no mais puro sentido. A grande mensagem do filme é: “É através da ferida que a luz entra em você” e que o amor é a chave para combater toda a escuridão. Em um mundo que só prega a inveja, ambição e ódio, aumentando as trevas dentro de cada pessoa, um filme que traz uma grande mensagem como essa, uma verdadeira luz pras nossas vidas, o que poderia dar errado?

Essa é a pergunta que me fiz e a resposta me deu uma surra que nunca irei esquecer: O ROTEIRO. Foi ele que estragou todo o filme. Infelizmente vemos diálogos superficiais, desfechos rápidos, simples e nenhum aprofundamento nas personagens, fazendo com que, não tenhamos um apego por elas. Ao invés de dinamismo, o que se tem aqui é a pura artificialidade com muita repetição para que se fixe algo, que mesmo sendo direcionado para crianças, não precisava de tanto. E escolhas como essas só prejudicam as mensagens da obra, que por virem de forma artificial, didática e gratuita, perdem toda a eficiência.

No primeiro ato, você ainda fica em uma “vibe” interessada por falarem de dobra no tempo, tesseract, física quântica, porém, vai cansando ao enfrentar uma trama fraca. No segundo ato, quando o grupo encara a ameaça do mal pela primeira vez, até que você pensa que agora a coisa vai andar. E andou…ladeira abaixo. Vai chegar um momento que você vai pensar: “Meu Deus, quanto falta para acabar?”. O que realmente segurava a “barra” em certos momentos eram a interação entre o Dr Murray e Meg, só por causa do ator Chris Pine que elevava o nível em seus diálogos com a atriz Storm Reid, mas infelizmente são poucas as cenas dos dois juntos. Outros dois pontos bons foram a atriz Reese Witherspoon, que conseguiu trazer todo o seu humor e carisma para o papel da Sra. Queé, nos entregando uma personagem que, para mim, foi a melhor de todo o filme; e o pequeno Deric McCabe no papel do Charles Wallace, é talentoso e nos diverte interpretando o estereótipo de “criança inteligente demais para sua idade”, contudo, ainda precisa um pouco mais de prática para as cenas dramáticas que ficaram um pouco comprometidas.

A diretora até tentou alertar a quem assistisse ao longa que o fizesse usando os olhos de uma criança, talvez até tentando aliviar as críticas negativas que já esperava receber, mas seria esse um bom jeito de mostrar a sua produção? Porque fica parecendo que nem ela confia o suficiente no trabalho e causa ao público uma certa desconfiança.

Apesar de todos os pontos negativos e das críticas negativas que circulam a internet, o filme merece um reconhecimento por ser uma produção audaciosa e mandar aquele recadinho que a indústria cinematográfica anda recebendo muito ultimamente: É HORA DE MUDAR! Trata-se de uma ficção científica produzida por uma mulher renomada, cuja protagonista não só é uma menina, mas também negra e com personagens femininos empoderados.

Então, devido a tudo isso, eu darei duas notas para esse filme: Uma pela sua produção e uma pela sua relevância. Quem quiser ir conferir o mesmo, já fique bem avisado e veja qual diretriz mais importa para você pra depois não dizer que não avisei.

Nota da Produção: 6 / 10

Nota da Relevância: 8,7 / 10

 

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Autor: Nêssa Moura

Apreciadora de filmes, séries e livros. Social media, sonhadora e super fangirl da Disney.

2 pensamentos

  1. O elenco fez um excelente trabalho. O filme é uma viagem cheia de diversão, emoção e aventura. Chris Pine fez um excelente trabalho, seus trabalhos sejam impecáveis e sempre conseguem transmitir todas as suas emoções, é um ator que as garotas amam por que é lindo, carismático e talentoso. Mulher Maravilha é um dos seus filmes mais recentes dele, é maravilhoso! Este ator nos deixa outro projeto de qualidade, de todas as suas filmografias essa é a que eu mais gostei, acho que deve ser a grande variedade de talentos. É uma história sobre sacrifício, empoderamento feminino e um sutil lembrete para nós, humanos, do que somos capazes de fazer uns com os outros. O ritmo é bom e consegue nos prender desde o princípio. É um dos melhores DC comics filmes gostaría que vocês vissem pelos os seus próprios olhos. Se ainda não viram, deveriam e se já viram, revivam a emoção que sentiram. Eu gosto da forma em que ela esta contada, faz a historia muito mais interessante. Gal Gadot é ótima porque mostrou com perfeição a jornada de uma deusa, uma guerreira e uma mulher. Ela e Chris Pine são uma mistura perfeita. Eu recomendo!

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  2. Eu pensei que era excelente, definitivamente vale a pena desfrutar com toda a família. Chris Pine fez um trabalho excepcional, como o bom ator que é. O papel que realizo em mulher maravilha o filme é uma das suas melhores atuações. Ele sempre surpreende com os seus papeis, pois se mete de cabeça nas suas atuações e contagia profundamente a todos com as suas emoções. Além, acho que a sua participação neste DC comics filme realmente ajudou ao desenvolvimento da história.

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