[Crítica] Tomb Raider – A Origem

Não é novidade que todo fã de games sonha em ver alguns de seus jogos favoritos na tela grande. Porém, por mais semelhanças que ambas as mídias possuam, pouquíssimas vezes essa relação foi positiva. É de senso comum que poucos foram os games baseados em filmes que realmente agradaram seu público. O contrário menos ainda. Desde sua primeira tentativa (com “Super Mario Bros“, em 1993) é possível contar nos dedos de uma mão a quantidade de adaptações de games para cinema realmente boa, sendo sua maioria mediana ou mesmo sofríveis. Infelizmente, com “Tomb Raider: A Origem” não é diferente.

No longa somos apresentados a Lara Croft (Alicia Vikander) herdeira da fortuna deixada por seu pai, o excêntrico e aventureiro Richard Croft (Dominic West), dado como morto após ter sumido sete anos atrás em uma de suas expedições e nunca ter sido encontrado. Após descobrir uma pista sobre algumas pesquisas misteriosas de seu pai, Lara decide embarcar numa viagem em busca de respostas sobre seu desaparecimento.

Exatamente como ocorreu com o game desenvolvido pela Crystal Dynamics em 2013, que abandonou a imagem sexualizada que a protagonista trazia desde seu surgimento em 1996 (e personificada na atuação e sensualidade de Angelina Jolie, no longa de 2001), o reboot da franquia aposta numa Lara Croft mais atlética e realista, sendo exatamente este o ponto forte do filme. O porte físico e desenvoltura de Alicia Vikander nas cenas de ação (principalmente nas que participa sozinha) nos faz acreditar que a heroína é realmente capaz de realizar (e suportar) cada uma de suas façanhas. Mas acaba por aí.

Se por um lado as poucas cenas de ação (todas devidamente apresentadas nos trailers) são a parte boa do filme, todo o resto não passa de um apanhando de situações previsíveis, personagens mal construídos e resoluções ruins para que um roteiro fraco e repleto de clichês possa seguir adiante. Se de um lado as cenas de ação são muito críveis, as motivações e relações entre os personagens são superficiais, dos flashbacks repetitivos com seu pai ao vilão Mathias Vogel (Walton Goggins), que só não foi mais estereotipado por falta de uma gargalhada maligna.

De todo modo, em tempos de empoderamento feminino, Alicia Vikander nos entrega uma Lara Croft forte e decidida, mas também frágil e insegura; uma personagem mais humana que heroica e conseguindo facilmente brilhar em tela. De modo que, mesmo com todas essas falhas, saímos do cinema querendo ver mais desta Lara Croft.

Com direção de Roar Uthaug (A Onda), o longa até diverte a um público mais descompromissado numa tarde de domingo. Mas certamente mostra que Hollywood ainda tem muito que aprender até conseguir trazer ao cinema uma adaptação realmente boa de universo dos games.

5 / 10

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