[Crítica] Pantera Negra

Por Sr.Aranha

Confesso antes de mais nada que estava verdadeiramente receoso em dar minhas impressões quanto a Pantera Negra, pois, acredito que escrever sobre a nova produção do Universo Cinematográfico Marvel (no original, Marvel Cinematic Universe – MCU) é uma responsabilidade bem grande.

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No longa acompanhamos T’Challa (Chadwick Boseman) após os eventos ocorridos em Capitão América – Guerra Civil, agora coroado como rei de Wakanda e novo Pantera Negra. Porém, além de enfrentar os dilemas da coroa deixada por seu pai, também terá de enfrentar o reflexo dos erros que o mesmo cometeu no passado. Mesmo com uma trama mais séria e quase “shakespeareana” ainda podemos perceber a infalível formula da MCU aplicada em mais um de seus filmes de origem. Até então seria apenas mais uma boa adaptação, se o longa não estivesse carregado de simbolismo, do começo ao fim.

Finalmente somos apresentados a Wakanda, uma cidade escondida no coração da Africa, repousando sobre uma jazida de Vibranium, um mineral alienígena mostrado em Vingadores – A era de Ultron que por séculos permitiu um avanço tecnológico sem precedentes a esta nação, como veículos voadores, medicina capaz de curar graves ferimentos em horas e armamento que faz artilharia militar parecer paus e pedras. Andando de mãos dadas com essa tecnologia utópica também conhecemos a forte e belíssima influencia cultural africana seja em suas roupas, dança ou ritos religiosos; Uma cultura preservada e defendida com orgulho por gerações.

Em contrapartida T’Challa confronta seu maior dilema, afinal Wakanda prospera escondida dos olhos do mundo graças a sua tecnologia, não passando para o resto do mundo de uma pequena nação tribal que vive da agricultura, o resto da Africa afunda em guerras, preconceito e descaso mundial. As antigas tradições pedem que o novo rei mantenha sua nação segura e escondida, mas o coração de T’Challa se inquieta ao se sentir impotente por não ajudar seus irmãos espalhados pelo mundo. E isso fica claro com a aparição de Erik Killmonger (Michael B. Jordan), que viveu no mundo exterior e foi moldado pelo ódio de uma sociedade racista, desejando a tecnologia de Wakanda não só para unificação de seu povo, mas para instaurar a soberania africana sobre o resto do mundo. Com esse espelho distorcido que reflete ambos antagonistas, Ryan Coogler (Creed: Nascido para Lutar) nos carrega por esta trama politica e social com uniforme de super- herói, que em algum momento nos remete a Xavier e Magneto (ou seria Malcon X e Martin Luther King?).

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Outro aspecto que chama a atenção é o protagonismo feminino. Em tempos onde o papel da mulher no cinema é questionado, onde escândalos de assédio sexual envolvendo figurões vem a tona e onde vozes clamam por direitos iguais entre homens e mulheres, a representação feminina em Pantera Negra é um deleite. Esqueça a frágil donzela em perigo: Seja pela sabedoria da Rainha-Mãe Ramonda (Angela Bassett), da determinação de Nakia (Lupita Nyong’o), da inteligência de Shuri (Letitia Wright) ou mesmo da valentia de Okoye (Danai Gurira), aprendemos rapidamente o quanto a mulher de Wakanda é poderosa. Posso dizer sem exagero que consigo enxergar facilmente as meninas abandonando a fantasia de princesa para, junto com uma certa amazona de outra história, se tornar uma guerreira de Wakanda.

Com cenários belíssimos, interpretações que compensam facilmente a trama simples e uma fortíssima representação social, podemos dizer que este não é nem de longe o melhor filme da MCU, mas certamente é uma de suas (senão a) produções mais importantes até então, levantando dilemas raciais e culturais mais de cinquenta anos depois da criação do personagem. Tal qual o movimento cultural de mesmo nome (e nascido com apenas alguns meses de diferença) PANTERA NEGRA nos chama a atenção para a luta contra a desigualdade e a favor da união das nações e povos.

WAKANDA PARA SEMPRE!

8,5 / 10

 

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Autor: Olar Para Todos

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