[Crítica] Uma Mulher Fantástica

Sinopse: Marina é uma garçonete transexual que passa boa parte dos seus dias buscando seu sustento. Seu verdadeiro sonho é ser uma cantora de sucesso e, para isso, canta durante a noite em diversos clubes de sua cidade. O problema é que, após a inesperada morte de seu namorado e maior companheiro, sua vida dá uma guinada total.

Assim como em Gloria(2013), o diretor chileno Sebastián Lelio segue a explorar a intimidade e os dramas femininos, dessa vez construídos em torno de uma cantora transgênero.

O filme começa após a morte do namorado de Marina Vidal (Daniela Vega), Orlando (Francisco Reyes Morandé) do qual era um homem 20 anos mais velho em relação a ela e ambos viviam uma relação amorosa heterossexual estável como namorados.

A partir disso, o filme já não trata do tabu da relação de um homem mais velho com uma mulher mais nova, mas de um novo tema, que nesse caso é a relação com uma transexual. Porém, de maneira alguma a obra trata tal tema como um problema a ser superado, pelo contrário, o foco não é esse, aqui vemos apenas um novo “normal”, onde pode-se ser simultaneamente transgênero e estar em uma relação convencional.

Mulher fantástica, Daniela Vega, Sebastián Lelio

A narrativa do filme começa após a morte de Orlando, em que Marina se vê lutando pelos seus direitos contra pessoas e instituições transfóbicas. Instituições essas que impõem valores opressivos e se voltam na direção oposta a quem deveria proteger, como é o caso dos personagens do médico e da delegada.

O pior de tudo isso para Marina, foi encarar a situação diante da família claramente preconceituosa do parceiro. Rejeitando-a de todas as formas com agressões físicas e verbais, ameaças e até mesmo suborno. Tratando-a como uma verdadeira “aberração”.

As cenas de confronto com estas pessoas são poderosas e revoltantes, pois assim como eles, Marina vive um estilo de vida convencional e que se eles a aceitassem como ela é, veriam que eles têm bastante em comum. Vale ressaltar, que diante destas pessoas, ela mantém uma postura única, sem revidar as agressões com o óbvio, mas com o mínimo e às vezes com o silêncio. Estas são umas das partes do filme, para mim, ditaram o nome de Uma Mulher Fantástica.

Marina não é uma personagem trágica, do qual vive seus dias em luto ou que luta contra o preconceito. Ela se dedica apenas para ver Orlando uma última vez e se despedir dele, para assim, seguir com sua vida. O filme é extremamente sensível e não termina com a dor dela, mas com a personagem mais confiante em si mesma cantando ópera para a audiência pela primeira vez.

Falando em Marina, para mim, a Daniela Vega foi um show à parte. Ela com certeza não é uma atriz sensacional, visto que ela ainda está em pleno e em ótimo crescimento. Porém, consegue aqui passar toda a dor, raiva, tristeza e revolta que senti nas cenas desse filme.

A fotografia do filme é muito bem feita, apresentando as belas paisagens de Santiago no Chile. A perspectiva vem em bom tom, não de luto e escuro, mas um tom revigorante e inspirador. Talvez para demonstrar a força da personagem.

A trilha sonora cumpre bem o seu papel, entregando o que é preciso para cada cena. As músicas que passam enquanto Marina está se deslocando, ou seja na rua, são bem agradáveis de se escutar.

O diretor Sebastián Lelio conseguiu entregar um ótimo filme. Super envolvente e que me deixou com um sentimento de “já acabou” no final.  Sua direção vem ultimamente sempre lidando com temas fortes e delicados, dos quais, com certeza, servirão para firma-lo como grande no mercado cinematográfico latino e mundial.

8,5 / 10

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Autor: arturdidier

Anime, séries, filmes, jogos, sushi, açaí, chocolate, música boa, master chef, Canadá e cultura japonesa. Não precisa ser nessa ordem, depende do dia. Meio humana, meio exatas.

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