[Crítica] Meu Malvado Favorito 3

Em 2010, A Ilumination surpreendeu ao público e a crítica ao lançar sua grande produção, Meu Malvado Favorito, com um alto valor de produção e tecnologias de animação dignas dos grandes estúdios. Rendendo uma sequência e um spin-off bem sucedidos em termos de bilheteria, a franquia retorna com a missão de repetir o sucesso das produções anteriores, mas será que conseguiu manter a criatividade e a diversão de sempre? Afinal, nós já vimos Gru como um vilão solo, agindo como pai, encontrando uma namorada… O que mais poderia haver?

Em Meu Malvado Favorito 3, vemos Gru ser demitido, juntamente com a sua esposa Lucy, da Liga Anti-Vilões após falharem na captura de um novo vilão chamado Balthazar Bratt, um ex protagonista de um programa de tv de sucesso dos anos 80 que não aceita o cancelamento do mesmo e passa a confundir sua personalidade com a do personagem, acabando por se transformar em um vilão de verdade ao buscar vingança. Desempregado e sem querer voltar para a vilania, Gru recebe a notícia de que tem um irmão gêmeo ricaço até então desconhecido, o Dru. Com ele, Gru descobrirá mais sobre seu pai e tentará reaver o bem roubado por Bratt na tentativa de resgatar seu emprego, ao mesmo tempo em que tenta lidar com uma rebelião dos Minions, liderados por Mel, que querem que seu patrão volte a ser um vilão.

449009.jpg-r_640_360-f_jpg-q_x-xxyxx

Apesar da premissa do filme ser boa, ele se perde bastante em um roteiro fraco e preguiçoso, envolto em pequenas subtramas ao longo de seus 90 minutos de duração, o que chega a ter um lado bom e ruim ao mesmo tempo. O foco que deveria se centrar na relação dos dois irmãos, acaba indo para a relação de Lucy tentando ser uma mãe para Agnes, Margo e Edith, ou para a motivação do vilão Balthazar em atacar Hollywood, e até mesmo nas aparições deslocadas dos Minions em sua rebelião. E quando achávamos que pararia por ai, no meio do filme outro arco surge focando na busca de Agnes por um unicórnio nas florestas do condado onde Dru mora.

Essa interpolação de narrativas é até compreensivel e muito usada em vários filmes, quando se quer mostrar diferentes pontos de vista para um resultado final, o que não é o caso aqui. As tramas são totalmente independentes em sua maioria e não adicionam nada relevante ou uma passagem dramática de crescimento desses personagens que já estão nas telas há três filmes. Servem apenas para “encher linguiça” e até mesmo de alívio cômico para o longa.

A adição dos novos personagens (o irmão de Gru e o vilão Bratt) poderiam acrescentar bastante ao filme e dar um potencial a mais, o que não ocorreu. Dru, o irmão cabeludo e afeminado de Gru, tem bons momentos. O personagem possui alguma motivação e o jogo de conquista para tentar atrair Gru de volta para a vilania rende passagens cheias de ação que tiram a obra de certo monotonismo. Mas com o tempo, ele vai virando gradativamente uma especie de “minion crescido” com seu jeito idiota e atrapalhado de ser. Talvez essa mudança tenha acontecido devido à ausência dos próprios minions à trama, os quais tiveram um papel reduzido e centrado no que parece ser pequenos “curtas-metragens” envolvendo números musicais em um show de talentos e na prisão.

079949

Já Balthazar Bratt que era uma pequena estrela-mirim de um seriado de mal gosto dos anos 80, e quando atingiu a puberdade, a audiência caiu levando o cancelamento do programa, fazendo com que ele entrasse na vilania tinha tudo para ser a melhor qualidade do filme. Apesar do plano maléfico não fazer o menor sentido, Bratt segue uma jornada de vingança pessoal contra Hollywood, mas acaba perdendo a graça e o interesse do público na metade da obra, devido a repetição exaustiva de seus trejeitos.

Mesmo com toda uma narrativa preguiçosa e o desperdício de boas ideias, não podemos negar que a obra é de uma produção de arte impecável. Desde o primeiro filme da franquia vemos que a Illumination têm uma enorme criatividade para criação de cenários diversos e também para os designs encantadoramente caricatos dos personagens que figuram nas suas histórias. Esse filme não deixa a desejar em nada nesse aspecto. Há diversos cenários incríveis e novas armas e veículos para Gru usar em suas missões deixando as sequências de ação bastante dinâmicas e visualmente atraentes.

malvado2

Outro ponto alto do filme são as referências, de que ele está completamente recheado. Como seu vilão tem a mente presa nos anos 80, podemos fazer uma viagem até essa época e ver referências indo desde músicas (que por sinal, a trilha do filme está impecável) até brinquedos e vestimentas da moda, o que pode agradar consideravelmente o público adulto. Também podemos perceber diversas referências, algumas até um pouco agressivas e nada sutis, às produções de outros estúdios. Será que o produtor Chris Meledandri tem algum ressentimento?

No fim, o que posso dizer de Meu Malvado Favorito 3 é que ele funciona bem como entretenimento e diverte. Mas se mostra uma obra repetida de seus anteriores, sem agregar qualquer evolução de seus personagens.

Nota: 7,0

 

Anúncios

Autor: Nêssa Moura

Apreciadora de filmes, séries e livros. Social media, sonhadora e super fangirl da Disney.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s